Segunda-feira.
Camila deixou Murilo no colégio primeiro e, ao voltar, começou a preparar a papelada do divórcio.
Ela tinha preparado um acordo de divórcio, onde declarava que não queria receber nenhum valor financeiro e abria mão da guarda exclusiva do Murilo.
Desde criança, Camila sempre foi uma aluna excepcional. Ela tinha feito o curso integrado de bacharelado e mestrado em ciência da computação na Universidade Central, a maior instituição de ensino superior do país.
A razão e a calma eram as suas vantagens inatas. O único obstáculo na vida dela tinha sido Arthur.
Todos da família Ferreira achavam que ela tinha casado com o Arthur só pelo dinheiro dele, por isso ela queria provar seu valor recusando qualquer indenização financeira no divórcio.
Em relação à guarda, ela estava em desvantagem.
Além disso, Murilo teria um futuro melhor se ficasse com a família Ferreira.
Mesmo que ela lutasse pela guarda com todo o esforço, seu filho poderia acabar a culpando quando crescesse.
Ao invés disso, era melhor deixá-lo ir.
Às nove e quarenta, ela chegou no prédio da Ferreira Tech.
Como ela não tinha hora marcada e os funcionários não a conheciam, a recepção a parou.
Ela só conseguiu fazer a ligação e, em pouco tempo, Tiago, o assistente-chefe de Arthur, apareceu diante dela.
Tiago era o único funcionário de toda a empresa que sabia quem ela realmente era.
— O Sr. Ferreira está tratando de negócios. A senhora talvez precise esperar um pouco.
— Não tem problema. Eu posso esperar.
Eles subiram de elevador e Tiago a levou para uma sala de descanso antes de desaparecer.
Camila esperou cerca de duas horas, e durante todo esse tempo ninguém apareceu para atendê-la, nem mesmo ofereceu um copo de água.
Camila já não aguentava mais esperar sentada quando, de repente, a porta foi empurrada por fora e um homem estranho vestindo um terno entrou.
Ele inclinou a cabeça, pronto para acender um cigarro.
Camila interveio apressadamente: — Desculpe, senhor, mas não é permitido fumar aqui.
— Qual é o problema? — O homem resmungou e avaliou Camila de cima a baixo. Vendo a roupa simples que ela usava, não parecia alguém com status, então ele gritou:
— Você está maluca? Esta é a sala de fumantes! Por que quer me impedir de acender um cigarro?
Camila pareceu constrangida: — Desculpe.
Ela se virou e saiu.
Realmente havia uma placa de fumo na porta. Ela tinha entrado acompanhada de Tiago e não prestou atenção.
Tiago não tinha nada contra ela, não precisava provocá-la desse jeito.

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