Ernesto já havia tirado os botões de punho, colocando-os de lado, e arregaçado as mangas, revelando o antebraço forte e definido: “A senhora não precisa ser formal comigo.”
Luciana, animada, não insistiu mais.
Na sala de estar, Fábio descascou uma tangerina para Samara e, ao ver aquela cena, murmurou com desdém: “Ele veio aqui pra jantar ou pra fazer média?”
Samara sorriu ao comentar: “Flor rara querendo experimentar a vida comum, deixa ele.”
Enquanto falava, provou um gomo da tangerina e achou o sabor doce e agradável. Então, perguntou a Fábio: “Onde você comprou essa tangerina? Está deliciosa.”
“Foi seu pai que mandou.” Fábio respondeu no impulso e logo se arrependeu.
De fato, a expressão de Samara ficou mais séria por um instante, como se o gosto doce tivesse desaparecido de sua boca.
Ela sorriu levemente: “Ele foi atencioso, até presente pra vocês ele trouxe.”
A família Vieira e a família Almeida eram vizinhas, separadas apenas por uma rua.
Antes da morte do irmão, Fábio sempre usava o pretexto de ver Valentino para ir até a casa dos Vieira, por isso as duas famílias mantinham uma relação muito próxima, quase como se fossem uma só.
Após a morte do irmão, Fábio passou a ter menos motivos para visitar, e as relações entre as famílias se tornaram mais distantes.
Mesmo assim, em datas comemorativas, ainda trocavam presentes de maneira cordial.
Fábio suspirou: “Desculpa.”
Samara continuou comendo a tangerina, mas já não sentia o sabor: “E meu pai… como ele está? Continua com aquela dor no joelho como antes?”
Fábio olhou para ela, com um olhar de compaixão. Desde que entrou na universidade, Samara não voltou mais à casa dos Vieira.
Faziam já uns seis ou sete anos.
Ela nunca falava, mas Fábio sabia que sentia muita falta de casa.
Mais cedo, na porta da casa dos Almeida, ela não parava de olhar para o prédio ao lado.

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