Sebastião arqueou a sobrancelha, lançando um olhar cortante em direção a Daniel.
Tímido?
Ele era, por acaso, uma criancinha?
A expressão de Alice, contudo, não cedeu um milímetro sequer diante da desculpa esfarrapada.
Daniel sentiu a cabeça prestes a explodir. Enquanto fazia sinal para o mensageiro colocar as bagagens das duas no carrinho, forçou um sorriso amarelo.
— Srta. Alice, já que chegaram até aqui, não vale a pena causar esse transtorno, certo? Senhoritas, subam no carrinho, o sol está castigando lá fora.
Alice ponderou. Se não quitasse logo aquele débito de gratidão, continuaria eternamente refém dos caprichos daquele homem. Decidiu, pois, engolir aquela humilhação.
— Catarina, vamos subir.
Dito isso, puxou a enfurecida Catarina para dentro do carrinho e as duas se sentaram nos assentos bem à frente de Sebastião.
Os frios olhos do homem se abaixaram. Ao notar que as mãos de Alice e Catarina ainda permaneciam entrelaçadas, ele franziu o cenho.
Ao constatar que finalmente embarcaram, Daniel enxugou o suor da testa e soltou um longo suspiro de alívio.
Pelo visto, aqueles dois dias seriam uma verdadeira provação para ele.
No mesmo instante em que o carrinho que transportava Alice adentrou os limites do resort.
Um ônibus luxuoso, trazendo Jorge, Sabrina, a gerência da empresa e a equipe técnica de ponta, aproximava-se do local.
O veículo foi barrado na guarita pelos seguranças para verificação das identidades.
Dentro do ônibus confortável, Sabrina fitou a vista deslumbrante pela janela e, logo depois, voltou o olhar para o perfil sereno e bonito de Jorge, sentado ao seu lado, enquanto ondas de fascínio lhe agitavam o olhar.
Os Farias tiveram um imprevisto repentino de família, de modo que Jonas Farias não pudera comparecer ao retiro.
Sabrina, naturalmente, assumiu o papel de acompanhante exclusiva de Jorge para toda a viagem.
Olhando para ele, apertou as mãos inconscientemente. Antes mesmo de passarem pela portaria do resort, já estava fervilhando de ansiedade.
No majestoso saguão do prédio principal do resort, Alice e Catarina aguardavam no balcão da recepção para o check-in.
— Sra. Almeida, uma suíte presidencial e duas suítes executivas foram preparadas para o seu grupo. Aqui estão os cartões magnéticos; os elevadores encontram-se à sua esquerda. Tenham uma excelente estadia.
Alice pegou os cartões, passando o da suíte presidencial e o de uma das suítes executivas para as mãos de Daniel.
A suíte presidencial, obviamente, era para aquele encosto do Sebastião. A executiva seria para Daniel, enquanto a outra ficaria para ela e Catarina dividirem.
Daniel olhou para o único cartão que sobrara nas mãos de Alice e indagou:
— Srta. Alice, as senhoritas dividirão o mesmo quarto?
O rosto de Jorge travou por uma fração de segundo. Habituado a ser reverenciado por todos, detestava quando era rechaçado com frieza. Nos velhos tempos, o seu orgulho o impediria de prosseguir com uma bajulação tão deplorável.
Mas, no cenário atual, ele não tinha escolha; a sua empresa enfrentava uma crise sem precedentes.
Ele necessitava desesperadamente do apoio de contatos poderosos como o de Sebastião.
Ele respirou fundo, arrancando um sorriso forçado.
— Sem problemas. Aqui está o meu cartão, seria uma honra nos apresentarmos adequadamente agora.
Apesar do braço estendido de Jorge, Sebastião sequer moveu um músculo para pegar o papel. No fim das contas, a única opção de Jorge foi entregar o objeto na mão de Daniel.
Daniel limitou-se a aceitar o papel, em nenhum momento demonstrando qualquer intenção de retribuir com um cartão do próprio patrão.
O clima esfriou, mas Sabrina decidiu intervir para animar o ambiente.
— O senhor veio passar férias sozinho por aqui, Sr. Sebastião?
Sebastião abriu um sorrisinho sutil ao escutar a voz dela.
— Não, vim acompanhado da minha parceira.
Enquanto falava, retornou o olhar para as portas de aço onde Alice aguardava o elevador.

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