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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 115

No dia seguinte, seguindo o endereço que Sebastião lhe enviara, Alice chegou pontualmente ao resort à beira-mar.

— Diretora, acho que chegamos. — No carro, Catarina Yunes observava a bela vista do resort pela janela, mas sem grande entusiasmo.

Pois é, Alice também trouxera Catarina.

Como ela quem iria pagar a conta de qualquer jeito, levar uma pessoa a mais não faria a menor diferença.

O principal motivo era que não queria ficar a sós com Sebastião de jeito nenhum; a ideia a deixava extremamente desconfortável.

Como passara os últimos anos vivendo em função da família, mal tinha amigos. Até pensara em convidar Sara Lima, mas a garota estava no último ano do ensino médio e passava os fins de semana afundada nos cursinhos. Depois de muito ponderar, resolveu chamar Catarina.

As duas tinham idades próximas e trabalhavam juntas no instituto, logo, possuíam vários assuntos em comum. Além disso, Catarina havia passado as últimas semanas virando noites com ela, e estava visivelmente exausta.

— Diretora, eu ouvi uns pesquisadores do nosso instituto falando sobre esse resort. Disseram que é caríssimo, construído só para a alta sociedade. Gente comum não tem nem autorização para passar pela porta. — Catarina encarou as instalações luxuosas e balançou a cabeça em sinal de desaprovação. — Fruto do puro capitalismo.

— Pois é, malditos capitalistas. — Alice concordou, com o rosto gélido de Sebastião surgindo imediatamente em sua mente.

Maldito capitalismo, maldito Sebastião!

— Diretora, precisamos mesmo desperdiçar nosso fim de semana neste lugar? Vamos voltar para o instituto, ainda tenho tantas dúvidas para te perguntar! — Catarina olhou para Alice com olhos suplicantes.

Alice observou a testa franzida de Catarina e as fortes olheiras sob seus olhos, balançando a cabeça.

— Catarina, você está tensa demais. Um cérebro sobrecarregado fica mais lento. O que você precisa agora é relaxar.

Se até uma esponja tem limite para reter água, quanto mais o cérebro humano. Nos últimos tempos, a mente de Catarina vinha absorvendo conhecimento como uma esponja encharcada. Estava saturada; precisava ser torcida.

Catarina sabia que ela tinha razão e compreendia que Alice estava fazendo aquilo pelo seu próprio bem. Por fim, assentiu.

— Eu entendo, Diretora.

Alice sorriu.

— Hoje é fim de semana, estamos aqui para nos divertir. Temos praticamente a mesma idade, então por esses dois dias, nada de me chamar de Diretora.

— E de que eu chamo então?

— Eu te chamo de Catarina, e você me chama de Alice. — Alice estendeu a mão, ajeitando delicadamente alguns fios rebeldes do cabelo da garota.

Catarina ficou atônita.

— Diretora... Digo, Alice... Nós temos quase a mesma idade, mas o seu temperamento é muito mais maduro e estável que o meu. Como você consegue ser tão competente e tão controlada ao mesmo tempo? Sinto que você nem parece humana... err... não é um xingamento, tá?

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