Quando Alice saiu do quarto, Catarina estava no banheiro. Ela apenas bateu na porta, deu um aviso rápido à amiga e foi se encontrar com Sebastião.
Seguindo a localização que ele enviara, chegou ao Pavilhão de Arquearia do resort.
O enorme espaço estava completamente deserto. Quando ela entrou, Sebastião já estava atirando.
O homem, exalando uma presença imponente, estava posicionado de lado para o alvo. Ele puxou uma flecha da aljava, ajustou-a no arco, tensionou a corda e atirou, tudo em um movimento fluído.
A flecha disparou velozmente, cravando direto no centro do alvo!
Alice parou um momento. Era inegável: Sebastião exalava uma presença magnética muito forte.
Ao notar Alice parada ali, o homem estendeu a mão com naturalidade para puxar mais uma flecha.
— Chegou.
— Sim. — Alice se aproximou com uma expressão vazia. — Me chamou para quê?
Ela não sabia atirar com arco e flecha.
Sebastião continuou a tensionar o arco, os músculos do braço desenhando linhas bem definidas pela força empregada.
Com um assobio, a flecha atingiu novamente o centro do alvo.
— Fique por aí, você vai recolher as minhas flechas daqui a pouco.
Alice entendeu o recado. Ela deveria esperar o engomadinho esgotar a aljava inteira para então ir puxar as flechas do alvo, como uma assistente submissa.
Ela olhou para os vários alvos espalhados no pavilhão enorme e para as diversas aljavas cheias de flechas à disposição e fechou a cara.
Se isso não era uma forma de humilhá-la, o que mais seria?
Havia tantas flechas e tantos alvos para ele se divertir sozinho.
Mas ele fazia questão que ela ficasse ali só para recolher os disparos dele!
Quando Sebastião estava prestes a pegar outra flecha, lançou-lhe um olhar de soslaio.
— Está me xingando na sua cabeça?
Alice forçou um leve sorriso no canto dos lábios.
— Imagina. O Sr. Sebastião é o meu grande salvador.
Ele arqueou a sobrancelha com um sorriso irônico.
— Hum. Que bom que você sabe disso.
E continuou atirando.
Entediada, Alice começou a olhar em volta, sem saber o que fazer até ele esgotar todas as flechas. Por fim, resolveu puxar o celular e começou a checar informações sobre o trabalho.
Não muito longe dali, escondido em um canto discreto, Daniel assistia a tudo quase tendo um ataque cardíaco.
Como Sebastião não estava usando aquilo, ela não conseguia entender onde as tiras se encaixavam.
Enquanto tentava decifrar as amarrações, um par de mãos grandes e firmes tirou o equipamento das mãos dela.
— Levante os braços. — ordenou Sebastião.
Alice olhou para ele, mas obedeceu silenciosamente e levantou os braços.
Ele passou as tiras do protetor pelos ombros dela e, então, deu a volta por trás de suas costas.
Mesmo com a camada fina do tecido, ela conseguiu sentir as articulações dos dedos do homem rasparem suavemente nas suas costas.
Com um pequeno clique sonoro, a presilha do protetor se encaixou.
Foi aí que Alice percebeu que aquele protetor servia para resguardar os seios das arqueiras do risco de serem atingidos pela corda do arco no momento do recuo.
— Obrigada. — agradeceu em voz baixa, caminhando para pegar o arco.
Sebastião apontou para o primeiro arco acomodado na prateleira.
— Use aquele ali, você deve conseguir puxar o peso dele.
Alice obedeceu, pegou o arco e uma aljava menor, caminhando até um alvo duas baias de distância do que Sebastião usava.
Era sua primeira vez atirando. Ela, que sempre conseguia manusear qualquer instrumento de laboratório sem nunca tremer as mãos, agora mal conseguia sustentar a flecha na corda, os braços tremendo absurdamente pela falta de jeito.

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