No início, ela achou que o problema fosse falta de força, então tentou usar ainda mais tensão nos braços. Mas, em vez de estabilizar, a tremedeira só piorou.
Quando soltou a primeira flecha, nem chegou perto do alvo, passando muito longe.
— Ai... — Ela suspirou, abatida, aceitando que também não era boa em tudo na vida.
Mesmo assim não desistiu; pegou outra flecha, encaixou na corda e puxou novamente.
No momento exato em que estava prestes a atirar, uma silhueta imponente surgiu repentinamente às suas costas.
— Gire um pouco o corpo para o lado. — As mãos firmes de Sebastião seguraram-na pelos ombros, corrigindo sua postura e o eixo dos pés.
O toque súbito em seus ombros fez o corpo de Alice endurecer de susto, e sua respiração pesou.
A voz do homem soou atrás dela novamente:
— Não se distraia. Foque em controlar a respiração.
Os olhos de Alice brilharam, e ela forçou a mente a voltar a atenção para o arco.
Os braços de Sebastião vieram de trás e contornaram os dela, corrigindo o ângulo do braço tracionado.
— O seu dedo indicador está muito duro e tensionado, isso só vai fazer o arco balançar ainda mais.
Seguindo a instrução, Alice afrouxou levemente a pressão no dedo indicador da mão esquerda.
Como previsto, a instabilidade no corpo do arco diminuiu de forma perceptível.
Sebastião encostou o peito um pouco mais para a frente. Com os braços contornando os de Alice, segurando o braço dela com leveza, ele sussurrou:
— Relaxe.
Alice puxou o ar, tentando relaxar ao máximo e impedir que seus músculos continuassem retraídos.
— Certo, atire!
Ao ouvir o comando, Alice soltou a corda e a flecha disparou veloz.
Com um assobio rápido, o projétil acertou perfeitamente o centro do alvo!
— Acertei! — Tomada pela emoção, Alice deu um pulinho de alegria. Ela se virou para comemorar, mas acabou batendo de frente contra o peito de Sebastião.
A distância entre os dois era tão íntima que conseguiam escutar o ritmo dos batimentos e o peso da respiração um do outro.
O homem abaixou os olhos, escurecidos e profundos, a respiração pesando sob a tensão do momento.
Alice ergueu o rosto, seus olhos se encontrando, e por um instante sua mente se esvaziou, esquecendo de recuar.
Enquanto isso, do lado de fora do Pavilhão de Arquearia.
Jorge, Sabrina e o resto do grupo foram parados e terminantemente barrados pelos seguranças na porta de entrada.
— Como assim não podemos entrar? Eu vi com os meus próprios olhos umas pessoas entrando agora pouco!
— Lamentamos informar que, hoje, o Pavilhão de Arquearia foi fechado com exclusividade pelo Sr. Sebastião. — O funcionário não escondeu a verdade, declarando abertamente o motivo.
— Fechado com exclusividade? — O coração de Sabrina afundou em frustração. Ela esperava inventar a desculpa de não saber atirar para que Jorge a ajudasse na frente de todo mundo.
Jorge, por outro lado, não se importou muito com a proibição, pois também não tinha grande interesse por arco e flecha. Como não podiam entrar ali, bastava escolher outras atividades no resort.
A única coisa que o deixou chocado foi Sebastião ter dinheiro e influência suficientes para isolar o lugar todo.
Se seus olhos não tivessem o traído, as mulheres que acabaram de entrar eram a mesma dupla, liderada pela moça simples de óculos que vira perto do elevador.
Então era verdade, ela realmente era a parceira que Sebastião trouxera.
Com esse raciocínio, o nervosismo que até agora dominava os pensamentos de Jorge dissipou-se por completo, dando lugar a uma tranquilidade irrefutável.
Fazia todo o sentido. Como era possível que Alice conhecesse uma figura de tanto poder e importância como Sebastião?
Devia ser o cansaço mental ou o estresse dos últimos dias pregando peças. Como ele pôde ser levado a imaginar Alice ali depois de escutar apenas duas frases tortas de Sebastião?

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