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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 125

Escondida atrás de Jorge, os olhos de Sabrina piscaram com um pânico momentâneo.

Ela não tinha certeza do que Alice estava fazendo ali; será que ia falar alguma coisa sobre a certidão de divórcio?

Se ela abrisse a boca, como Sabrina conseguiria se explicar para Jorge?

Sabrina achava que, já que Alice havia entregado a certidão de divórcio, para a mulher, isso significava o fim definitivo de qualquer elo entre eles.

Sendo assim, Alice não deveria mais estar correndo atrás de Jorge!

Mas então, o que ela estava fazendo ali?!

O que diabos ela estava armando!

Com o coração disparado, a mão de Sabrina agarrou nervosamente a bainha da camisa de Jorge.

Sentindo o puxão em suas costas, Jorge interpretou isso como medo de Sabrina em relação a Alice, e o seu olhar para a ex-mulher se tornou ainda mais afiado.

— Alice, como sabia que estaríamos aqui? Quem mandou você vir?

Alice olhou para a atitude defensiva e suspeita de Jorge, que cobria Sabrina como se fosse o seu escudo humano, e achou tudo ridículo a ponto de perder as palavras.

Eles já estavam divorciados, e a certidão de divórcio ela mesma já havia entregado em mãos.

Então, Jorge achava que ela, a ex-esposa, ainda alimentava sentimentos por ele? Que seria capaz de intimidar a sua preciosa Sabrina?

Alice estava com preguiça de lidar com ele e muito menos queria continuar assistindo ao showzinho de pânico fingido que Sabrina ainda insistia em manter.

Virou-se e deu um último aviso aos funcionários da marina:

— Em suma, evitem navegar por águas profundas pelos próximos dias. Se não acreditam em mim, consultem os especialistas ou os serviços de meteorologia.

Ainda no ar, as palavras de Alice foram rapidamente assimiladas por Sabrina.

— Como assim? Que história é essa de evitar ir para o mar aberto?

Ela tinha certeza de que Alice viera ali com o único intuito de impedi-los de saírem.

— É por conta das oscilações térmicas e das correntes de vento específicas; além disso, pelas condições de maré, a região do mar tem chances de produzir correntes fortes e mortíferas. E mais... — Alice observou a parede de nuvens acinzentadas e esbranquiçadas se formando no horizonte. — Provavelmente hoje veremos fortes chuvas de curta duração; assim, acho que é uma péssima ideia velejar em um momento como este.

Alice repetiu mais uma vez e com grande clareza e razão as suas deduções.

Seus argumentos irrefutáveis e razoáveis acabaram despertando a atenção de Jorge e de parte da equipe da Horizonte Tech.

Afinal, envolvia os riscos de colocar a própria vida em perigo, o que não era brincadeira.

Apavorados ao sentirem a iminente perda do gordo pagamento, os marinheiros exclamaram:

— Senhores e senhoras, tranquilizem-se! Independentemente desta bela e calma tarde ensolarada, mesmo se enfrentássemos alguma catástrofe, os nossos iates são abastecidos com os mais modernos equipamentos de sobrevivência! Além do mais, a equipe inteira a bordo tem um certificado especial em resgate e primeiros socorros; portanto, não tenham o menor receio. Iremos prover-lhes da mais absoluta segurança! Logicamente que embarcar conosco fica inteiramente a critério dos senhores.

— Eu arquitetei esta viagem marítima para hoje e planejava poder levá-los àquela belíssima ilha para apreciarmos, juntos, a beleza do pôr do sol. Com o tempo lá fora maravilhoso deste jeito, não há motivos reais para acreditarmos que iremos encarar um desastre... — Atrás de Jorge, Sabrina falava com a voz baixa. Uma óbvia e profunda tristeza soou da sua voz. — Eu apenas planejei tudo para que todos se divertissem. Tem alguma coisa errada nisso? Chequei o serviço meteorológico agora há pouco e não relataram absolutamente nenhuma chuva; se os ventos continuam em silêncio deste jeito, qual seria a real possibilidade para aquelas correntes aparecerem do nada?

A choramingada de Sabrina soou pelos tímpanos do pessoal, extinguindo no mesmo instante os rastros de pavor gerados momentos antes pelas alegações sensatas de Alice.

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