Alice sorriu com sarcasmo em pensamento.
A diferença entre se importar e não se importar era enorme.
Em sete anos de casamento, Jorge nunca a levara para qualquer evento, muito menos encomendara uma roupa para ela.
Mas isso não tinha mais importância, não a deixava mais abalada; ela apenas achava a situação irônica.
Sabrina olhou para a vendedora.
— Onde está o vestido que reservei?
A vendedora rapidamente trouxe o mesmo conjunto que Alice admirara antes.
— Srta. Sabrina, a peça que a senhora encomendou acabou de chegar de avião.
Alice ficou atônita. Então aquele era o conjunto que Jorge escolhera para Sabrina.
Camila Cavalcanti examinou a peça meticulosamente, de cima a baixo.
— Hmm, é lindo. Como esperado do meu irmão, até o gosto para escolher roupas é impecável.
— Srta. Sabrina, gostaria de provar? — a vendedora perguntou.
Sabrina hesitou, olhando primeiro para Alice, depois para Camila, e, por fim, balançou a cabeça.
— Não precisa, pode embrulhar direto.
Neste momento, Camila já havia se aproximado de Alice.
— Alice Almeida, em vez de ficar em casa cuidando do meu irmão e do Júlio, vem passear no shopping torrando o dinheiro dele. Como você tem coragem?!
— Eu estou gastando o meu próprio dinheiro, não tem nada a ver com o seu irmão. — Nem precisava mencionar que agora já estavam divorciados; mesmo antes, ela raramente gastava o dinheiro dele.
Pensando bem, ela lembrava ter dois cartões adicionais do ex-marido na sua carteira, intocados. Só não sabia onde a carteira estava. Quando o trabalho acalmasse, precisaria encontrar os cartões para devolvê-los. Como estavam divorciados, não havia motivo para mantê-los.
— Como não tem a ver?! O dinheiro que você tem foi meu irmão que deu! — insistia Camila.
Alice checou a hora; seu almoço estava prestes a acabar. Contudo, a maquininha de cartão da loja parecia estar com problemas e não funcionava de jeito nenhum.
Ficar ali apenas desperdiçaria mais tempo e prolongaria a discussão com Camila.
— Esquece, eu não quero mais a roupa. — Com isso, Alice deu meia-volta e caminhou para a saída.
Para sua surpresa, o que repousava no fundo da caixa era um traje de alta costura impecável.
— Oh, foi o Sr. Alberto Almeida quem mandou entregar para a senhora, Diretora. Ele disse que é para usar na conferência de sexta. — Catarina respondeu.
— O professor? — Alice olhou abismada e ergueu o traje. Tratava-se da mesma marca que uma das princesas europeias frequentemente usava.
Mais do que isso: dentro da caixa ainda havia um elegante estojo de veludo.
Ao abrir o estojo, revelou-se um broche de diamantes deslumbrante.
— Isso... e ainda um broche... — Hesitante, Alice se virou para Catarina. — Tem certeza de que foi mesmo ele que mandou?
Catarina assentiu confirmando.
— Absoluta. Quem trouxe disse que era da parte dele.
O encarregado pela entrega fora enfático.
Alice ainda estava pasma. Desde quando o professor entendia de roupas finas e joias?

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