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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 137

Alice não tinha certeza se aquela roupa havia sido enviada pelo próprio Alberto Almeida, pois esse tipo de gesto definitivamente não fazia o estilo dele.

O professor Alberto passou a vida imerso em pesquisas científicas; não tinha esposa nem filhos e, frequentemente, ele mesmo andava meio desalinhado. Como se lembraria de comprar um traje de alta costura para ela? Muito menos aquele broche luxuoso.

Com essa dúvida na cabeça, Alice ligou para ele diretamente.

— Roupa? — A voz de Alberto soou confusa do outro lado da linha, exatamente como ela esperava.

— Sim, acabei de receber um traje maravilhoso, me disseram que foi o senhor que mandou para eu usar na conferência de sexta.

A linha ficou muda por alguns segundos antes que a voz dele surgisse novamente.

— Ah, isso mesmo. Fui eu. Apenas vista-se com ele.

— Foi o senhor mesmo? — Alice perguntou, abismada. Depois olhou para a caixa aveludada. — E este broche de diamantes também foi um presente seu?

Dessa vez, a resposta de Alberto veio depressa:

— Hum, claro. É meu presente para você. Lembre-se de colocar. A conferência é a sua consagração, você precisa ir bem-vestida.

Escutar aquelas palavras fez Alice rir e chorar por dentro.

Desde quando o professor ligava para aparência? No passado, ao sediar conferências, ele se apresentava com a primeira camisa que encontrava. Por causa disso, havia sido criticado muitas vezes.

— Certo, entendi. — respondeu ela sorrindo.

Já que ele havia confirmado ser o autor dos presentes, as preocupações dela desapareceram.

Passando suavemente as mãos sobre o tecido requintado, Alice reprimiu um sorriso meigo.

De certa forma, o professor caprichara demais. O valor daquele conjunto devia cobrir o preço das roupas que ela planejara comprar umas dez vezes mais, sem falar do broche de diamantes.

— Diretora Almeida, a senhora usará essa roupa na sexta? — De volta ao instituto, Catarina passou a chamá-la de Diretora Almeida outra vez.

— Sim, foi um presente do professor, é claro que vou usá-lo. — Alice assentiu.

— O Sr. Almeida trata a senhora tão bem, como se fosse uma filha. — Se fosse antigamente, Catarina teria achado que Alice subira de posição por nepotismo. Mas hoje as incríveis aptidões de Alice já a haviam conquistado. Assim, o comentário saiu genuíno e sem uma pitada de ressentimento.

Com os olhos no traje, Alice disse devaneando:

Ele não tinha a menor paciência para quebra-cabeças infantis.

— Eu não sei, pai! — Júlio começou a fazer birra, impaciente.

Com uma carranca pesada, Jorge preparava-se para repreender a insolência do menino.

Sabrina, porém, pousou seus talheres de repente.

— Estou satisfeita. Eu acompanho o Júlio na montagem do robô.

Júlio logo se abriu em um sorriso, correndo para segurar a mão da mulher.

— Legal! Tia Sabrina também é uma super perita. A Tia Sabrina vai brincar comigo!

— Certo, a tia vai brincar com você. — Ela afagou delicadamente o nariz do pequeno Júlio e se ergueu.

— Sabrina, termine sua refeição. Não precisa mimá-lo. — Jorge estava severo. — Esse moleque anda cada vez pior de modos. Como Alice cuidava dele?

— Não diga isso, Sr. Jorge. O Júlio é apenas um menino. — Sabrina se abaixou para envolvê-lo em um abraço. — Ele é inteligente. Não existem muitas crianças de seis anos que consigam acompanhar o raciocínio dele. Você tem sido um homem ocupado e não pôde dar a ele a devida atenção. As capacidades da Alice eram tão limitadas que ela também não conseguia engajar a cabecinha dele nessas atividades difíceis. Ele já foi tão prejudicado; não o censure. Já que estou livre hoje, deixa eu ficar mais perto dele.

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