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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 157

A voz de Alice ecoou cristalina pelo microfone:

— Antes de mais nada, devo corrigi-lo. Mesmo tendo passado sete anos fora do instituto, jamais rompi meus laços com a ciência. A verdade é que, ao longo de todo esse período, segui sendo publicada em vários periódicos domésticos. Esses são dados perfeitamente rastreáveis a quem quiser buscar. Além disso, as etapas de cálculo e aperfeiçoamento relacionadas ao Giroscópio de Cristal Quântico não conheceram interrupções de minha parte. Apenas mudei do laboratório para as paredes de meu modesto escritório em casa. Uma afirmação que minha assistente e os membros do instituto podem muito bem atestar por si mesmos.

Catarina Yunes balançou a cabeça veementemente em concordância.

— Com certeza! Logo em seu primeiro dia como Diretora, ela distribuiu a todos nós do instituto um vasto compêndio de refinamentos algorítmicos. Esse material ajudou os pesquisadores a resolverem diversos problemas que estavam travados há muito tempo!

Após a confissão, Catarina ainda virou-se para Douglas Holanda e o Prof. Lucas Vieira ao seu lado:

— Não foi, Sr. Holanda?

Douglas lançou-lhe um sorriso enviesado, mas assentiu.

O Prof. Vieira, contudo, não escondeu sua aprovação entusiástica.

— Exato, não tenha dúvidas!

Pego totalmente de surpresa pela sucessão dos fatos, o sorriso perverso do jornalista se transformou numa máscara hirta e petrificada no mesmo segundo.

Alice sustentou seu olhar inclemente contra as inclinações duvidosas do repórter.

— Sobre o seu segundo ponto, de que haverá uma segunda vez. Acredito que aqui posso me colocar de forma inequívoca. Não haverá segunda vez! Passar por um casamento fracassado uma vez já é o suficiente. Fora isso, a verdadeira raiz do meu afastamento do instituto nada teve a ver com o casamento em si. Sobre as reais razões, trata-se da minha privacidade pessoal, sobre a qual não tenho nada a declarar.

Em seu passado, o afastamento dela tivera um motivo: ela se isolara para cortar definitivamente as amarras com o seu próprio alter-ego e com o sobrenome da família Santos.

Ainda assim, expor isso ali seria o mesmo que criar um espetáculo em um momento tão inadequado.

Principalmente sob a presença de Sebastião, onde soaria unicamente como se ela estivesse se queixando de seus infortúnios a ele.

Agora, ela ambicionava somente ser a única Alice no mundo.

— Bom... — murmurou o até então sagaz repórter, subitamente sem palavras.

Firme lá do alto, Alice o encarou.

— Tem alguma outra pergunta? Se não, passarei para a próxima pessoa.

Logo após, o olhar de Alice se afastou do repórter e sua voz soou sem arrogância, mas implacável.

— Pode compartilhar os problemas comigo, talvez eu consiga te ajudar.

E o que ele sempre respondia?

— Foque apenas em cuidar bem do Júlio, dos meus assuntos eu cuido.

— Faça sua parte em casa, o resto não é problema seu.

— Alice, guarde para si essas ideias, não tente abraçar o mundo com as pernas.

— Não apareça mais na empresa, isso pega mal.

Era perturbador como aquelas palavras duras, disparadas de forma tão leviana no passado, agora rodavam em sua mente como um filme cruel.

Naqueles anos todos, ele sequer havia pisado uma vez no escritório de Alice.

Se ele tivesse cruzado aquela porta, se tivesse feito isso apenas uma vez, teria percebido que ela não era aquela mulher entediante e simplória que ele acreditava ser.

Naquele momento crítico, Jorge percebeu, tarde demais, que não conhecia absolutamente nada sobre Alice...

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