Alice Almeida viu que todos, de repente, haviam se reunido ali. Ser observada por tantas pessoas, especialmente com a presença de Henrique Cavalcanti e Yara Inácio, fez com que ela perdesse instantaneamente qualquer desejo de continuar jogando.
— Desculpe, eu realmente não quero mais jogar — recusou de forma categórica diante da insistência contínua do Mestre Marcelo.
— Certo... certo... então não jogaremos mais hoje — O Mestre Marcelo hesitou por um momento, mas ao perceber a determinação no olhar de Alice Almeida, decidiu ceder e buscar uma alternativa. — Mas faça o seguinte, deixe um contato comigo, pode ser? Eu te imploro, quero muito jogar outra partida com você. Por favor, me passe o seu contato!
Ele havia lutado muito para encontrar um oponente capaz de despertar seu desejo de vitória e não queria desistir assim.
Alice Almeida observou a expressão de súplica sincera do Mestre Marcelo e percebeu que, se não lhe desse o contato naquele dia, ele provavelmente continuaria a importuná-la.
— Tudo bem, pode ser — Sem outra alternativa, ela finalmente assentiu, concordando, mas não se esqueceu de avisar: — No entanto, sou muito ocupada, especialmente durante a semana, então não me incomode nos dias úteis.
Assim como aquele Mestre Marcelo havia dito, encontrar um adversário que estimulasse a vontade de vencer não era algo fácil. Ela também estava disposta a encontrar outra oportunidade para jogar uma nova partida de xadrez profissional contra ele.
— Ótimo, ótimo! — O Mestre Marcelo demonstrou uma imensa alegria no rosto, assentindo repetidamente.
— Caneta e papel... — murmurou para si mesmo, enquanto olhava ao redor, como se procurasse alguma coisa.
Então, o seu olhar pousou numa mesinha baixa ali perto, onde havia um kit de caligrafia tradicional.
Aquela mesa baixa e os itens sobre ela serviam, na maior parte do tempo, apenas como decoração na Galeria dos Enxadristas.
Ocasionalmente, quando Henrique Cavalcanti se sentia inspirado, escrevia alguns caracteres ali. Mas, na maioria das vezes, o conjunto ficava apenas exposto.
O Mestre Marcelo correu rapidamente até lá e levou a mesinha baixa com todo o kit de caligrafia tradicional.
Sob os olhares atentos de todos, ele a colocou diante de Alice Almeida.
— ... — Alice Almeida ficou sem palavras.
— ... — Os outros presentes também ficaram em silêncio.
Alice Almeida estava prestes a pegar o celular para trocar contatos com o Mestre Marcelo.
— Ah, eu não confio nesses aparelhos eletrônicos, anotar no papel é o mais seguro — O Mestre Marcelo acenou com a mão em discordância.
Após dizer isso, ele voltou a estender o pincel para ela.
Alice Almeida olhou com certa hesitação para o Pincel de Caligrafia na mão do Mestre Marcelo, e memórias de quando Simão Santos a forçava a praticar caligrafia invadiram repentinamente a sua mente.
Naquela época, ela tinha apenas três anos, e a primeira coisa que fazia ao acordar era escrever uma página de caligrafia. Se não escrevesse bem, se não terminasse o exercício ou se Simão Santos não ficasse satisfeito com o resultado, ela não podia tomar o café da manhã.
No começo, as suas pequenas mãos gordinhas mal conseguiam segurar o pincel com firmeza. Mesmo seguindo as instruções do professor, a sua escrita era um verdadeiro desastre.
Como consequência, ela frequentemente ia de estômago vazio assistir às outras aulas que o velho senhor organizava para ela.
Naqueles dias, Sebastião Santos lhe levava comida às escondidas, mas não demorou muito para que Simão Santos descobrisse. O resultado final foi que Sebastião Santos levou palmadas nas mãos durante três dias seguidos e, por muitos dias depois, as suas mãos permaneceram inchadas.
Na verdade, ela quase não tinha lembranças de antes dos três anos de idade. No entanto, aquele acontecimento ainda estava muito vivo na sua memória. Ela se lembrava de como Sebastião Santos ficava após ser castigado, com o rosto pálido e suando bicas.

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