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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 263

Ela correu para abraçar Sebastião Santos, olhando para as mãos dele, vermelhas, inchadas e sangrando, e tinha certeza de que ele ia morrer.

Aterrorizada, ela chorava e implorava para que o seu querido Sebastião não morresse.

O Sebastião Santos daquela época era tão gentil; ele acariciava suavemente a cabeça dela e dizia que não morreria, pois ainda precisava trazer comidas gostosas para ela.

Mas, a partir daquele momento, ela começou a praticar caligrafia com ainda mais dedicação todos os dias, esforçando-se para agradar Simão Santos e evitar passar fome. Assim, o seu querido Sebastião não seria punido por lhe dar comida em segredo...

— Ei, ei! Minha jovem senhora! — Vendo a hesitação de Alice Almeida, o Mestre Marcelo pensou que ela não sabia usar o pincel de caligrafia e deu um sorriso inocente. — Não tem problema, não faz mal se a letra for feia. É só para anotar o contato, afinal de contas.

Alice Almeida voltou a si abruptamente, repreendendo-se intimamente. Por que diabos ela estava desenterrando memórias do passado do nada?

Embora a caligrafia lhe trouxesse certos traumas psicológicos, ela acabou aceitando o pincel.

Sob a insistência ansiosa do Mestre Marcelo, ela se inclinou para perto da mesa baixa.

A ponta suave do pincel tocou de forma delicada o Papel de Arroz Fino.

Cada traço e cada curva eram executados com uma força firme no pulso.

A Galeria dos Enxadristas, que um segundo antes estava barulhenta, foi se aquietando gradualmente com o deslizar do pincel de Alice Almeida.

Havia um aroma suave de sândalo no ar, e todo o ambiente se tornou calmo.

Diante da mesa baixa, a bela e serena jovem curvava-se, escrevendo com graciosidade.

Alice Almeida segurava o pincel com leveza, não com os cinco dedos de uma vez, mas com a técnica tradicional de segurar a haste de forma precisa.

Mantinha o traço perfeitamente centralizado, a tinta distribuída de maneira uniforme, com uma força que parecia atravessar o papel.

Cada pincelada seguia um ritmo constante, sem pressa nem demora.

Quer entendessem de caligrafia ou não, qualquer um que olhasse saberia que ela possuía muita prática naquilo.

Yara Inácio e Henrique Cavalcanti trocaram um olhar, ambos enxergando surpresa e deslumbramento nos olhos um do outro.

Especialmente Henrique Cavalcanti, para quem a caligrafia era um de seus grandes passatempos.

Naquele momento, ele observava Alice Almeida segurando o pincel com calma, mantendo o pulso suspenso enquanto escrevia.

Embora Yara Inácio não fosse fã de caligrafia, tinha amizades com mestres na arte e conseguia reconhecer o nível de excelência daqueles traços.

Além disso, sendo casada com Henrique Cavalcanti por tantos anos, conhecia-o melhor do que ninguém.

O fato de um homem tão perfeccionista quanto Henrique Cavalcanti estar ali, em transe diante da caligrafia de Alice Almeida, já dizia tudo.

— Alice Almeida... — Yara Inácio não pôde deixar de murmurar.

Naquele sussurro do nome, havia perplexidade, confusão e até um toque de arrependimento que ela mesma não havia percebido...

Parecia ser a primeira vez que ela realmente enxergava Alice Almeida.

No momento em que ela levantou o pincel, o ambiente barulhento silenciou-se instantaneamente. Naquele instante, parecia que Alice Almeida possuía algum tipo de magia, capaz de atrair a atenção e os olhares de todos os presentes.

Até ela mesma não pôde deixar de se sentir atraída pela aura que emanou de Alice Almeida de forma tão súbita.

Naquele momento, Alice Almeida parecia irradiar luz...

Esse contraste intenso causou um impacto profundo na mente de Yara Inácio.

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