Deixando Bernardo com sua cara amarrada de lado, ela ergueu a voz e gritou para o Dr. Vieira e os outros: — Se já descansaram, venham continuar o trabalho.
Ao ouvirem a ordem de Alice, o Dr. Vieira e os colegas levantaram-se rapidamente e caminharam na direção da estação.
— Com licença, precisamos trabalhar. — Wilson Costa, ao perceber que Bernardo bloqueava a estação base, deu um tapinha nele.
Bernardo afastou-se de cara feia, mas os olhos dele continuavam fixos em Alice Almeida.
Alice continuou a ignorá-lo e focou exclusivamente no que estava fazendo.
Apenas quando o sol começou a se pôr é que a equipe encerrou o expediente.
— Diretora, sobre aquele tal de Bernardo no almoço, o que ele queria falar com você? Vi que a sua cara não estava das melhores, nem a dele. — No caminho de volta, Catarina lembrou-se do sujeito.
— Tenho as minhas ressalvas sobre a avaliação que o Zeca fez dele. — Alice não queria tocar no assunto e limitou-se a dizer aquilo.
Ela e Bernardo mal se conheciam; no total, haviam trocado meia dúzia de palavras e eram quase como estranhos.
Mas ele viera até ela, sem o menor senso de limites, e lhe dissera coisas tão pedantes e nojentas. Isso não era atitude de um rapaz prestativo.
— De agora em diante, evite-o se o vir por aí. — Pensando nisso, Alice recomendou a Catarina.
— É, eu achei que ele era estranho desde o começo. — Catarina assentiu.
Ao se aproximarem da Hospedaria Municipal, Alice avistou de longe uma pequena figura empoeirada aguardando do lado de fora.
Ao ver Alice se aproximando, a Pequena teve os olhos iluminados e correu ao seu encontro.
— Ei, Diretora, aquela não é a Gabriela? — Catarina também reconheceu a garota de imediato; afinal, em todo o povoado, a única criança que vivia sempre tão coberta de poeira era ela.
— Gabriela! — Alice sorriu e acenou para a menina.
Vendo o gesto, a Pequena correu ainda mais depressa e num instante estava diante de Alice.
Sem dizer muitas palavras, a menina ergueu em suas mãos alguns frutos recém-colhidos, entregando-os a Alice.
— Isso é para mim? — Alice olhou para os frutos na mão da Pequena, levemente surpresa.
— Acabei de pegar. Estão doces. — A pequena assentiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!