Fosse em casa ou na empresa, Sabrina Saraiva não vira Jorge Cavalcanti durante o dia inteiro.
Já perto do final do expediente, Sabrina recebeu um telefonema da sede no Solar da Família Cavalcanti, chamando-os para jantar por lá.
Sabrina foi ao escritório de Jorge com o objetivo de acompanhá-lo até o Solar.
Contudo, ao chegar, percebeu que Jorge nem estava no prédio.
Sendo assistente de Jorge, Sabrina não se recordava de nenhum compromisso externo na agenda dele naquele dia.
Somente ao ligar para o marido é que soube da verdade: havia um contratempo na universidade onde Jorge atuava como professor, e ele tivera de ir para a instituição de última hora.
Sem alternativa, após encerrar o expediente, Sabrina seguiu sozinha rumo ao Solar.
Como as pendências na faculdade foram resolvidas antes do esperado, Jorge retornou para sua própria casa primeiro, pretendendo trocar de roupa antes de ir para a propriedade da família.
— Patrão, vocês não iam todos jantar no Solar hoje? — Dona Ester se espantou ao vê-lo.
Ela nem sequer havia preparado o jantar.
— Sim, não se preocupe, só passei para trocar de roupa. — Jorge assentiu.
— Veio alguém à nossa casa? — Ao reparar no par de sapatos desconhecidos no hall, ele perguntou.
— Ah. — Dona Ester apontou para o andar superior. — É o professor particular do Samuel; ele tem aula hoje à noite, por isso não pôde ir ao Solar.
Ouvindo a resposta, Jorge permaneceu em silêncio. Samuel era irmão de Sabrina; sua responsabilidade se limitava apenas a abrigar o garoto em casa; sobre como cuidar e as regras da educação, isso era competência total da própria Sabrina.
Apressadamente voltando para o quarto, Jorge trocou a roupa e estava prestes a partir para o Solar da Família Cavalcanti.
— Patrão, espere um minuto. — Após hesitar brevemente, Dona Ester enfim resolveu interceder.
— Hum? O que foi? — Jorge continuou andando em direção à saída enquanto indagava.
— A questão é a seguinte: não recebi meu salário. Estão atrasados o deste mês e o do mês anterior. — Dona Ester correu rapidamente em seu encalço.
A fisionomia de Jorge transpareceu uma leve insatisfação; ele não imaginava que um caso de pagamentos atrasados chegaria a ocorrer em sua residência.
Na sua empresa, ele gerenciava muitos funcionários e nunca atrasou nenhum pagamento de salário.
— Basta procurar Alice Almeida para resolver esse tipo de coisa... — respondeu ele num ímpeto, quase de forma automática.

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