— É isso mesmo, o que eu recebi foram cinquenta mil. — disse Sabrina Saraiva, encarando Jorge Cavalcanti com o rosto tomado pela confusão, enquanto pegava o celular e mostrava o comprovante de transferência para ele.
Diante da bronca que acabara de levar de Henrique, Sabrina sentia a necessidade urgente de provar que não era pão-dura a ponto de atrasar de propósito o pagamento da governanta.
A verdade é que ela, de fato, só havia recebido cinquenta mil reais para cuidar da casa.
Dessa vez, foram Yara Inácio e Henrique que lançaram olhares de desaprovação para Jorge.
— Jorge, você realmente só dá cinquenta mil reais por mês de mesada? — perguntou Henrique em especial, mantendo a testa franzida.
— Jorge, a nossa família pode não ser a mais rica de todas, mas não somos de dar só cinquenta mil reais para a sua esposa cuidar do lar. Pagando a governanta residente, as diaristas e os outros custos de rotina, não sobraria praticamente nada no fim do mês. — Por mais que Yara sempre quisesse defender o filho, agora não tinha como.
Bem quando Sabrina achou que o mal-entendido estava desfeito — provando que o problema era falta de dinheiro, e não sovinice da parte dela —,
As palavras seguintes de Jorge a paralisaram no lugar.
— Mas eu mandei o Yuri Valente transferir duzentos e cinquenta mil para você todos os meses.
— Duzentos e cinquenta mil? — Os olhos de Sabrina se arregalaram de repente, e, acreditando ter ouvido errado, quis confirmar: — Tem certeza de que eram duzentos e cinquenta mil?
— Tenho certeza. A mesada de Alice Almeida costumava ser de duzentos mil por mês. Eu disse ao Yuri para acrescentar cinquenta mil no seu caso, ou seja, duzentos e cinquenta mil. — Jorge assentiu, com o olhar escuro e profundo.
O coração de Sabrina começou a martelar forte no peito ao saber que a quantia mensal era de duzentos e cinquenta mil.

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