— Então o que deu nele? — Insistiu Dona Ester.
Yuri manteve uma expressão constrangida, mas no fim não deu resposta alguma.
Incapaz de extrair informações, Dona Ester recolheu Samuel Saraiva e sentou-se na sala de estar do térreo para esperar.
Pouco tempo depois, Sabrina chegou acompanhada de Júlio.
— O Professor Jorge já chegou? — Assim que cruzou a soleira, e antes que Ester pudesse dizer algo, Sabrina foi a primeira a perguntar.
— Chegou sim, e assim que pisou aqui trancou-se no escritório. — Dona Ester assentiu.
— Se... senhora, o que aconteceu com ele? — Com o semblante ligeiramente apreensivo, Ester completou a frase questionando.
Sabrina Saraiva ignorou a pergunta de Ester, apenas entregando-lhe Júlio antes de subir até o segundo andar, em direção ao escritório de Jorge.
Parada diante da porta do cômodo, deu duas batidas suaves, mas não obteve reação.
— Professor Jorge, sou eu, a Sabrina. Posso entrar? — Franzindo levemente a testa, bateu novamente, desta vez anunciando-se.
— Entre. — Alguns segundos se passaram até a voz dele ressoar no interior da sala.
Sabrina estagnou na porta para estabilizar a respiração e, por fim, girou a maçaneta.
Dentro do escritório, tudo parecia normal. Jorge estava sentado na frente do computador, aparentemente calmo, lendo os trabalhos dos seus alunos.
A cena emitia uma ilusão inquebrável de que nada havia transcorrido naquela noite.
Porém, a realidade brutal era que coisas avassaladoras de fato aconteceram.
Sem falar que Jorge os tinha deixado para trás na mansão, optando por retornar sozinho.
— Professor Jorge, eu nunca esperei que a situação se desdobrasse dessa forma. Se eu soubesse, jamais teria dito que só recebi cinquenta mil. — Logicamente, Sabrina não seria tola de interrogá-lo sobre o abandono. Avançando a passos lentos e medindo as palavras com cautela, olhou-o nos olhos.


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