À noite, após encerrar as tarefas do dia, Alice Almeida estava lendo tranquilamente o livro que havia comprado na livraria antes de viajar.
O dia não estivera muito quente, a porta da pequena varanda estava aberta e a brisa fresca da noite soprava suavemente, tornando o ambiente muito agradável.
Bem no momento em que a leitura ficava mais empolgante, uma chamada telefônica tocou.
O identificador de chamadas mostrava um número desconhecido.
Alice encarou a tela do celular por um momento e, por fim, atendeu à ligação.
— Alô, quem fala? — ela perguntou baixinho.
No passado, ela raramente atenderia uma chamada desconhecida como aquela.
Mas agora era diferente; ela tinha receio de perder alguma ligação importante de trabalho. Por isso, mesmo sendo um número estranho, ela atendia a menos que fosse uma fraude óbvia.
Por um instante, não houve som no alto-falante.
Alice franziu levemente a testa, afastou o celular do ouvido e verificou novamente o número na tela. Parecia ser um número normal.
Então, ela perguntou mais uma vez: — Alô, quem está falando?
Justo quando ela pensava em desligar caso ninguém respondesse, a voz de um homem finalmente ecoou pelo telefone.
— Alice, sou eu. — Uma voz bonita e familiar.
Era Jorge Cavalcanti.
A mão de Alice apertou o celular e um lampejo de impaciência surgiu em seus olhos.
Jorge provavelmente sabia que ela não atenderia ligações dele àquela hora, e por isso usou um número desconhecido.
— Jorge, não adianta falarmos mais nada. Já deixei claro que não vou me juntar ao Clube de Xadrez de Alvorada do seu pai, e muito menos vou competir pela Taça Mestre Supremo por ele. Se a sua família continuar me importunando assim, serei forçada a tomar medidas para me proteger contra assédio.
Quando ouviu a voz de Jorge, Alice pensou logo que a família Cavalcanti ainda queria obrigála a competir na Taça Mestre Supremo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!