Alice Almeida clicou para ampliar a imagem; era óbvio que a foto havia sido tirada em casa.
Com um só olhar, reconheceu a posição do sofá onde Sabrina Saraiva estava sentada abraçando Júlio Cavalcanti. Era exatamente o mesmo lugar onde ela sentava todas as noites esperando Jorge Cavalcanti voltar para casa.
As flores sobre a mesa de centro, em frente ao sofá, ainda eram as que ela havia comprado há alguns dias.
Os dedos de Alice tremeram levemente; ela quis fechar a imagem, mas acabou tocando sem querer no avatar de Júlio. Imediatamente, ela foi direcionada para a página de postagens pessoais do WhatsApp do menino.
Foto após foto, em horários e lugares diferentes, mas todas com a presença de Sabrina, surgiram diante de seus olhos.
Alice sempre fora uma mãe compreensiva e nunca bisbilhotava a privacidade de Júlio. No entanto, em suas lembranças, Júlio não era uma criança que gostava de postar no status do WhatsApp.
No passado, quando ela levava Júlio para passear ou preparava as sobremesas favoritas dele, costumava perguntar se ele queria postar uma foto.
E a resposta de Júlio era sempre:
— Não vou postar, isso é muito infantil.
Alice nunca pensou muito a respeito, pois respeitava a vontade da criança. Além disso, naquela época, ela achava que o jeitinho de adulto em miniatura de Júlio era muito fofo.
Ela achava que Júlio realmente não gostava de postar no WhatsApp, por isso nunca tinha visto nenhuma publicação dele.
Alice continuou rolando as fotos para baixo, até que a data indicou um ano atrás.
Ou seja, já fazia um ano que Júlio conhecia Sabrina. Durante aquele ano, ele se encontrou com ela várias vezes. Eles saíram para brincar, comeram coisas gostosas, fizeram experimentos em família...
Tudo o que Júlio deveria ter feito com a mãe, ele fez com Sabrina.
A diferença era que, quando Júlio fazia essas coisas com ela, o pai, Jorge, nunca estava presente.
Mas, quando fazia com Sabrina, Jorge estava sempre lá, acompanhando pacientemente.
Afinal, não era que Júlio não gostasse de postar no WhatsApp; a verdade era que todas as postagens anteriores tinham sido configuradas para que ela não as visse.
Deu uma leve curtida naquela foto, depois rolou a tela até o topo e também curtiu a última postagem que Júlio havia feito, com a legenda: [Eu e a mãe que eu gosto].
Depois, fechou o WhatsApp, guardou o celular e caminhou até a janela do escritório.
Do lado de fora do portão da mansão, um carro preto afastava-se lentamente.
Afinal, aquele clarão que acabara de iluminar a janela era o farol de um carro.
Embora tenha sido sem intenção, Alice agradeceu silenciosamente em seu coração.
Agradeceu àquela luz fraca que a puxou de volta quando estava quase afundando na dúvida sobre si mesma.
Dentro do carro, Daniel Duarte diminuiu a velocidade, esticando o pescoço para olhar repetidamente pelo retrovisor a mansão pela qual tinham acabado de passar.
— Preste atenção na direção. — No banco de trás, Sebastião Santos, de olhos fechados e cenho levemente franzido, expressou insatisfação com a súbita distração e lentidão de Daniel.

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