— Sim, patrão. — Daniel Duarte apressou-se em retomar a velocidade normal, mas seus olhos continuavam voltando para aquela mansão. Finalmente, não conseguiu se conter e perguntou: — Patrão, acho que não vi errado. Quando passamos pelo Condomínio Monte Verde agora há pouco, vi que as luzes do segundo andar estavam acesas.
O homem no banco de trás abriu lentamente os olhos, mas não disse uma palavra.
Daniel continuou:
— Alguém se mudou para lá? — Dizendo isso, arregalou os olhos. — Patrão, aquela casa não foi a que você deu para a Al...
— Daniel. — O homem distinto finalmente falou, com uma leveza gélida.
Ao ouvir a voz de seu patrão, Daniel sentiu um arrepio percorrer o corpo.
— Sim!
O homem franziu a testa.
— Como não percebi antes que você fala tanto?
Daniel começou a suar frio e suas mãos apertaram instintivamente o volante.
— Vou ficar calado, calado...
...
A pressão emocional de Jorge Cavalcanti estava bem menor naquele dia. Há pouco, ele recebera notícias concretas do Professor Lima de que o desenvolvedor do Giroscópio de Cristal Quântico se apresentaria no centro de pesquisa do instituto na próxima semana. Se tudo corresse bem, era muito provável que ele tivesse a chance de conhecer o especialista já na semana seguinte.
Dessa forma, o dilema que a empresa enfrentava seria facilmente resolvido.
Por isso, Jorge estava de bom humor. Antes de sair do trabalho, fez questão de retornar a ligação de um parceiro comercial que havia recusado durante o dia.
Após terminarem de discutir os negócios, o parceiro comercial tentou bajular Jorge com uma voz aduladora:
— Sr. Cavalcanti, o meu filho estuda na mesma escola que o seu. Acabei de ver a foto que seu filho postou no status do WhatsApp, onde ele diz estar com a mãe que mais gosta. Sr. Cavalcanti, o seu filho é mesmo uma graça.
— Obrigado. — Jorge respondeu educadamente. Ele sabia muito bem que aquilo era apenas adulação.
Mas, já que mãe e filho tinham se entendido, Jorge não precisaria mais dormir fora. Ao sair da empresa, dirigiu direto para casa.
Contudo, ao entrar, não encontrou Alice no hall, mas sim Dona Ester, parada ali com uma expressão de preocupação.
— Onde está a Alice? — perguntou Jorge, sem pensar.
Enquanto entregava o paletó para Ester, foi caminhando para dentro.
Assim que entrou na sala de estar, viu Sabrina de olhos vermelhos, sentada no sofá, claramente após ter chorado.
— Sabrina? O que você está fazendo aqui? — Ao olhar para o lado, viu Júlio, também com os olhos vermelhos e bochechas infladas de raiva. — O que aconteceu?
Dona Ester se aproximou nesse momento para explicar tudo.
— Hoje, a senhora disse que não iria mais levar nem buscar o menino na escola. O menino ficou muito triste quando soube e não parava de chorar. Como eu não sabia o que fazer, liguei para a Srta. Sabrina.
— O menino ficou muito feliz ao ver a Srta. Sabrina, e os dois tiraram uma foto para postar no WhatsApp. Mas a senhora viu a foto e ainda deu uma curtida. Acho que a senhora entendeu errado... E agora a Srta. Sabrina está se culpando muito... — Enquanto falava, Ester observava a reação de Jorge.

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