Hospedaria Municipal, dentro do quarto.
O clima agradável que Alice Almeida sentia enquanto lia foi completamente arruinado por aquela ligação de Jorge Cavalcanti, desaparecendo sem deixar vestígios.
Do lado de fora, as batidas na porta continuavam, revelando uma leve urgência.
Em seguida, a voz de Sebastião Santos soou com um tom de comando: — Alice Almeida, abra a porta!
Dentro do quarto, Alice revirou os olhos com força.
Em plena madrugada, como podiam ser todos tão irritantes!
Fervendo de raiva, Alice marchou até a porta e a escancarou, dando de cara com a figura alta do homem encostado no batente.
Ela precisou erguer levemente a cabeça para conseguir encarar os olhos de Sebastião.
O homem continuava recostado de forma preguiçosa, com o olhar ligeiramente baixo, fixo nela: — Demorou tanto para abrir que achei que tivesse morrido.
Alice, que já não estava de bom humor, sentiu um aperto no peito de pura irritação ao ouvir as palavras daquele homem irritante.
— Sinto muito mesmo por desapontá-lo. — Ela disse isso entredentes.
No entanto, considerando que Sebastião tivera a bondade de doar dinheiro naquele dia para reformar a escola das crianças da serra, ela engoliu a fúria e perguntou, pausadamente: — O senhor precisa de algo, Sr. Santos?
A entrelinha era clara: era bom que fosse algo importante, muito importante!
Sebastião observou a expressão furiosa de Alice e ergueu sutilmente o canto dos lábios, fazendo com que até seus olhos se curvassem de leve: — Estou com fome.
A expressão de Alice ficou completamente sem reação.
Momentos antes, enquanto falava ao telefone com Jorge no quarto, pareceu-lhe ter ouvido Sebastião murmurar algo sobre estar com fome.
Mas achou que tinha escutado mal.
Afinal, a insistência do homem em bater à sua porta no meio da madrugada não poderia ser apenas por um motivo tão banal quanto a fome.
Além disso, um homem daquele tamanho não conseguia procurar algo para comer sozinho?
— Se está com fome, vá procurar comida. Por que veio atrás de mim?
— Não consigo encontrar. — O homem respondeu com a maior naturalidade do mundo.
Alice soltou uma risada de incredulidade: — Então procure seu assistente!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!