— Alice Almeida, você costuma comer coisas dessa qualidade para se alimentar? — Sebastião Santos franziu a testa, com uma expressão de desgosto.
O homem jogou o pão de qualquer jeito sobre a mesa e virou-se para caminhar em direção à cama.
Na metade do caminho, voltou atrás.
Pegou o pão, rasgou a embalagem, hesitou por um segundo e deu uma mordida.
O sabor forte de essências artificiais, misturado com açúcar e gordura, preencheu instantaneamente sua boca.
Bastaram três ou quatro mordidas para devorar o pão inteiro.
Ele ergueu levemente as sobrancelhas, curvando os cantos dos lábios.
Na boca, ainda restava o gosto do alimento.
Até que era saboroso...
Na manhã seguinte.
Aquele dia estava reservado para a instalação dos equipamentos na nova estação base. Como a etapa inicial exigia certo esforço físico, o Dr. Vieira e os outros homens da equipe haviam saído bem cedo.
Quando Alice Almeida e Catarina Yunes terminaram de se arrumar e saíram, depararam-se no pátio da Hospedaria Municipal com Daniel Duarte, que já aguardava por ali.
— Srta. Almeida, bom dia! — Daniel foi o primeiro a cumprimentar Alice, com um sorriso no rosto.
— Bom dia. — respondeu ela com educação. Ao passar por Daniel, fez uma pausa. — Prepare algo para o seu patrão comer, assim evita que ele sinta fome no meio da madrugada e venha perturbar o descanso dos outros.
Dito isso, ignorou o olhar perplexo do rapaz e partiu acompanhada de Catarina.
Sebastião saiu logo após Alice ter deixado a hospedaria.
Daniel foi ao seu encontro, perguntando com preocupação:
— Patrão, por que não me disse que estava com fome na noite passada? Não consegue se acostumar com a comida daqui ou o que houve? Vou preparar algo agora mesmo...
— Silêncio. — limitou-se a dizer Sebastião, de forma contida. Ele caminhou até o portão do pátio e observou as costas de Alice se distanciando.
— Ah... — assentiu Daniel, mas a quietude não durou nem dois segundos. — Mas o senhor não estava com fome? Não pode ficar sem comer, isso ataca o estômago. Se está com fome, precisa se alimentar. O que deseja comer, patrão? Eu providencio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!