Ao ver que a pequena perdera o sapato na pressa, movida pela preocupação de que algo pudesse ter-lhe acontecido, um sentimento de carinho forte tomou conta do coração de Alice.
— Eu estou bem, me desculpe por ter feito você se preocupar — disse, estendendo a mão para pegar o sapato de Gabriela e ajudá-la a calçá-lo.
Mas a menina recuou imediatamente e, ouvindo que Alice estava bem, virou as costas e saiu correndo.
— Gabriela! — Alice deu alguns passos atrás dela, mas a criança já havia dobrado a esquina, desaparecendo pelo estreito beco.
Catarina não pôde evitar suspirar. — Diretora, essa menina se importa muito com você. Tão pequena e tão boa, é uma pena ter ficado órfã tão cedo. Se os pais dela ainda fossem vivos, de certeza que a tratariam com muito carinho.
Alice escutou em silêncio, sem oferecer resposta.
Embora fosse verdade que a Velha Gomes negligenciasse os cuidados da neta, os pais de Gabriela também não eram exatamente exemplos de virtude.
Anteriormente, ela havia perguntado ao Sr. Zózimo e descobrira que os pais da menina eram preguiçosos confessos e avessos ao trabalho duro. Durante os anos que viveram fora, não aprenderam nada que prestasse. Do contrário, pessoas não apareceriam frequentemente exigindo pagamentos de dívidas à Velha Gomes.
Enquanto os pensamentos de Alice se concentravam em Gabriela e nas incertezas de seu futuro, seu celular tocou.
Ao conferir o identificador de chamadas, uma fagulha de surpresa cruzou seu rosto.
Inesperadamente, era uma ligação de Júlio Cavalcanti.
Porém, o telefone tocou apenas duas vezes. Antes que ela pudesse atender, a chamada foi encerrada.
Ela ficou observando a tela por alguns segundos e, no fim das contas, cedendo ao instinto materno, decidiu retornar a ligação.
Após três toques, a chamada foi atendida, e a voz infantil e rebelde de Júlio ressoou do outro lado: — Eu apertei sem querer agora há pouco, não queria te ligar.
Ouvindo aquilo, Alice concordou com serenidade. — Entendo. Se não há mais nada, pode desligar.
— Eu... — começou Júlio com um tom arrogante. — Não estou ocupado agora, então posso ficar conversando com você.
Alice sorriu. Embora não detivesse mais a custódia, sentia que ainda era sua obrigação estar a par da rotina do filho. — Como você tem passado?
No seu quarto, Júlio fez beicinho. — Estou ótimo, a tia Sabrina cuida muito bem de mim.
A essa altura, Alice já conseguia não reagir de forma alguma quando Júlio mencionava Sabrina Saraiva.
— Fico feliz em saber — disse ela.
Pelo fone, Júlio parecia estar mastigando algo.

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