No quarto, o portaretrato que costumava ficar na mesa de cabeceira, com a foto de Alice abraçando Júlio, havia sumido; em seu lugar, havia uma foto de Sabrina Saraiva.
As flores preservadas que Alice deixava no peitoril da janela não estavam mais lá. Agora, o espaço estava cheio de enfeites de girassóis e bichos de pelúcia.
O quarto continuava sendo o mesmo quarto, mas tudo havia mudado.
Júlio observou por muito tempo, procurou por muito tempo, mas não encontrou o menor sinal que pertencesse à sua mãe, Alice.
Da última vez, quando Sabrina preparou o novo quarto infantil para Samuel, aproveitou a oportunidade para reorganizar e redecorar a suíte principal onde Alice morava.
Assim como fizera no escritório, amontoara tudo o que antes pertencia a Alice e levara para o porão.
Por conta das muitas mudanças, incluindo a nova pintura das paredes, Sabrina ainda não havia se mudado para o quarto.
Júlio secou as lágrimas e olhou para o cômodo desconhecido diante de si.
Uma mágoa sem precedentes tomou conta dele. Naquele momento, ele sentiu como se o mundo inteiro o tivesse abandonado.
Voltando chorando para o próprio quarto, pegou o celular na cama, com sua mãozinha hesitando sobre o número de telefone da mãe.
Ele havia desligado na cara da mãe logo cedo. Se ligasse agora, ela atenderia?
Da última vez, ele mandou a mãe voltar para fazer a comida e ela não voltou. Será que voltaria desta vez?
Enquanto Júlio pensava nisso, de cenho franzido, as lágrimas embaçaram sua visão. Tentando enxergar melhor, ele acidentalmente tocou no botão e ligou para Alice.
— Ah! — Ele deu um gritinho de surpresa, atrapalhando-se com o aparelho nas mãos, mas em seu coração nutria uma vaga esperança de que Alice atendesse.
No entanto, o telefone tocou apenas uma vez e a chamada foi recusada.
Logo em seguida, uma mensagem chegou no celular de Júlio.
[Estou ocupada no momento. Por favor, deixe uma mensagem]

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