Naquela tarde, a sucessão de injustiças já havia desequilibrado o emocional de Júlio. Ele queria esperar o pai voltar para buscar algum consolo. Mas, para sua surpresa, o pai também brigou com ele.
— Eu não quero aprender com ele, ele é um ladrão que rouba as coisas dos outros! Eu odeio o Samuel, manda ele ir embora! — A emoção de Júlio explodiu de vez, especialmente quando ouviu o pai dizer para aprender com Samuel.
— Júlio Cavalcanti! — Jorge estava exausto de um dia inteiro de trabalho na empresa e só queria voltar para casa e descansar. Porém, mal havia chegado e, antes mesmo de comer uma comida quente, já precisava lidar com esse tipo de situação.
Aquela mistura de fadiga e irritação preencheu seu peito e sua mente, arruinando completamente o seu humor.
— Ah! Eu odeio você, papai! — gritou Júlio aos prantos, virando-se para fugir correndo.
— Júlio! — Sabrina fez menção de ir atrás dele, mas foi impedida por Jorge.
— Deixe-o em paz!
— Mas o jantar já vai ser servido — Sabrina pareceu compadecida.
— Deixe que fique com fome. Pular uma refeição não vai matá-lo, não podemos ficar mimando essas péssimas atitudes dele — Jorge afrouxou a gravata irritado. — Esse garoto foi totalmente mimado pela Alice...
Aquela lembrança estava muito viva na sua cabeça, e Jorge acabou falando o nome de Alice Almeida sem pensar.
Logo após dizer isso, ele se deu conta, atordoado.
Lembrar daquela mulher o fez pensar nos últimos sete anos, quando Alice silenciosamente usava o próprio dinheiro para manter o funcionamento da casa e garantir a aparência digna dele e do filho na sociedade.
De repente, a culpa que Jorge havia reprimido à força voltou a brotar lentamente do fundo de seu coração.
Ele abaixou o olhar para a gravata de grife em suas mãos; fora um presente de Alice, afinal.
— Ah, Sr. Jorge...
— Hã? — A voz de Sabrina trouxe os pensamentos de Jorge de volta à realidade.
— Você não disse ontem que o Dr. Cunha convidou a nossa família para jantar na casa dele? — Enquanto falava, Sabrina pegou o paletó e a gravata das mãos de Jorge.
Ao ouvir isso, Jorge assentiu com a cabeça.
O Dr. Cunha era seu superior direto na universidade onde lecionava e a figura chave responsável por recomendar Jorge para a promoção a professor titular.
O período oficial de avaliações para promoção ocorria entre setembro e outubro de cada ano, então Jorge ainda tinha um tempo para se preparar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!