Na sala de jantar de sua casa, Dona Ester desfrutava de uma rara e relaxante noite de folga.
Tinha acabado de cozinhar uma tigela de macarrão, mas, antes mesmo de começar a comer, ouviu um barulho vindo da porta.
Dona Ester, com pressa, soltou o garfo e andou em direção à entrada, mas antes mesmo de chegar ao hall, pôde ouvir o choro agudo e arranhado de Júlio.
As sobrancelhas da mulher franziram incontrolavelmente, e um profundo incômodo apoderou-se dela.
Ao alcançar a porta, viu Jorge agarrar o braço de Júlio, puxando o menino que chorava alto em completa confusão, os dois avançando em passos irados.
A força do homem era considerável enquanto arrastava o filho. Ele não dava a menor importância para os lamentos da criança ou para o corpinho frágil sendo atirado de um lado para o outro por sua brutalidade.
Como era de se prever, logo depois de passarem pela porta, os pés de Júlio não o sustentaram e ele tropeçou, caindo de joelhos no chão.
O estampido da queda soou de forma assustadoramente alta para Dona Ester.
— Oh, Senhor! O que o senhor está fazendo? O menino ainda é muito pequeno! — Por mais incomodada que Dona Ester estivesse, não aguentou ver aquilo. Era uma criança que ela tinha acompanhado crescer, afinal.
Ao falar, estendeu a mão para amparar Júlio, mas Jorge bloqueou sua tentativa com uma atitude impassível.
— Ester, fique fora disso. — Seu volume não era alto; ele estava claramente se controlando. Mas, apesar de ele se conter muito, uma raiva muito forte estava crescendo dentro dele.
Dona Ester assustou-se com o olhar de Jorge. Sua mão ficou paralisada, estendida no ar.
Logo em seguida, Sabrina entrou, segurando a mão de um Samuel com os olhos rubros. A senhora rapidamente dirigiu-lhe a palavra.
— Sabr... ah, Senhora, o que aconteceu?
Não tinham saído para um jantar com o chefe do Senhor?
Por que voltaram tão rápido?
Eles tinham saído parecendo tão felizes. Como é que de repente...
Foi o pequeno senhor Júlio que causou algum problema na casa do chefe?
Sabrina apenas lançou um olhar para Dona Ester e não respondeu. Correu para chegar mais perto de Jorge e disse num sussurro gentil:
— Sr. Jorge, não seja tão duro. Tenho certeza de que Júlio já percebeu o erro que cometeu.
Porém, era preferível que ela não houvesse aberto a boca. Ao terminar de falar, o rosto do marido assumiu um ar ainda mais ameaçador.


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