No fim de sua fala, o menino já chorava descontroladamente.
Sentia-se injustiçado. Não tinha feito absolutamente nada. Até mesmo havia avisado Samuel, pensando na reputação de seu pai.
Foi Samuel quem o ignorou, pegou o troféu e o espatifou de propósito. A culpa era inteiramente do outro garoto. Por que seu pai acreditava em Samuel e não nele...?
Por sorte, tia Sabrina tinha visto tudo e testemunharia a seu favor!
A tia Sabrina jamais deixaria que ele fosse injustiçado!
Júlio apertou firme as mãos de Sabrina.
— Tia Sabrina, diga alguma coisa, conte o que você viu... Eu não fiz nada...
Jorge olhou para Sabrina:
— Sabrina, você viu?
Será que Júlio realmente não havia feito aquilo?
Contudo, um garoto como Samuel não parecia o tipo que sabia mentir.
Sabrina estava pálida. Com uma expressão contrariada, mordeu os lábios, parecendo lutar consigo mesma. Depois, olhou para Júlio com impotência:
— Júlio, a tia não vai poder continuar te acobertando desta vez... Se você fez algo de errado, deve pedir desculpas. A situação de hoje é mais grave. Se eu continuar protegendo você, vou acabar te prejudicando.
— Ah... O quê... Tia Sabrina, o que você está falando? — Júlio olhou fixamente para Sabrina.
Por que ele não estava conseguindo entender as palavras de tia Sabrina?
Que acobertamento?
O que ela quis dizer com proteger e prejudicar?
Que história era essa de que ele tinha que pedir desculpas porque tinha feito algo de errado?
Mas ele não tinha feito nada de errado!
Sabrina olhou relutantemente para Jorge:
— Sr. Jorge, Júlio ainda é uma criança e, claro, vez ou outra vai cometer um erro por ser levado. Ele apenas achou o troféu bonito e decidiu pegá-lo para ver mais de perto. Não teve intenção...
— Tia Sabrina... — Júlio soltou a mão dela, chocado.
Desta vez ele compreendeu. Tia Sabrina estava dizendo que fora ele quem pegara e quebrara o troféu.

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