Normalmente com um temperamento explosivo e de pavio curto, Camila Cavalcanti agora apenas segurava o rosto, mantendo-se em completo silêncio, balançando a cabeça em negação.
Sabrina Saraiva, que se encontrava num estado deplorável, observava de lado toda a família Cavalcanti em completo caos. Ao ver Camila levar um tapa de Henrique Cavalcanti, um lampejo de satisfação cruzou o fundo de seus olhos.
Mas ela rapidamente encobriu suas emoções, forçou os olhos a ficarem vermelhos e se aproximou.
— Camila, ajude o Júlio. Você sempre o amou tanto. Ah, que pena eu não ter esse tipo sanguíneo, senão, com certeza doaria para ele.
— Cale a boca! — Camila a empurrou com brutalidade. — Sua falsa, saia daqui! Ninguém te chamou na conversa!
Pega de surpresa pelo empurrão abrupto de Camila, Sabrina perdeu o equilíbrio e caiu sentada no chão, bem diante de todos.
A dor de bater o cóccix no chão percorreu todo o seu corpo em um instante.
Ela fez uma careta, sentada ali sem conseguir se recuperar de imediato. Contudo, ninguém fez menção de ajudá-la a se levantar.
Na verdade, ninguém nem mesmo ligava para ela.
Jorge Cavalcanti, com o semblante sombrio, caminhou até Camila.
— Camila Cavalcanti, por que você não pode doar sangue para o Júlio? Você é a única que pode salvá-lo agora, por que não o faz?
Camila apenas balançou a cabeça, grossas lágrimas escorrendo pelo rosto.
Alice Almeida já não conseguia esperar mais. Ela se virou para o médico.
— Doutor, não há outra alternativa? Por favor, salve o meu filho.
O médico demonstrou hesitação.
— No momento, apenas você e a tia do menino possuem esse tipo sanguíneo. Teoricamente, a doação da tia seria a melhor opção. Transfusões entre parentes de primeiro grau podem desencadear complicações de alta mortalidade. Por princípio, sempre que há outra pessoa disponível, evitamos a doação direta, mas se...
Antes que o médico terminasse de falar, as portas da sala de cirurgia se abriram novamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!