Tanto o médico quanto as enfermeiras presentes ficaram estupefatos. Em todo o tempo que trabalhavam no hospital, já tinham presenciado diversos melodramas, mas algo tão absurdo quanto aquilo, era a primeira vez.
A enfermeira que, instantes atrás, implorava e puxava Camila para tirar sangue, ficou paralisada e sem reação ao ver Camila arrastar Alice até ela. Ela apenas olhou para o médico, buscando ajuda.
O médico, por sua vez, mantinha uma expressão de constipação severa e falou com esforço:
— Se houver a confirmação de que ela não é a mãe biológica da criança, então... sim, ela pode doar sangue. A situação é crítica, precisamos priorizar a vida da criança. Resolveremos o resto depois.
Ao ouvir o veredito do médico, Alice dirigiu um olhar pálido e quase sem vida à enfermeira.
— Vamos, eu vou colher o sangue.
A enfermeira, com o semblante pesaroso, assentiu com a cabeça.
— Certo, venha comigo!
Alice empurrou Camila bruscamente, libertando seu braço das garras da mulher, e seguiu atrás da enfermeira rumo à sala de coleta de sangue.
— Alice Almeida... — murmurou Jorge, acompanhando-a de perto.
— Não me siga! — ordenou ela, sem nem olhar para trás, continuando o seu caminho. — Não quero ver ninguém da família Cavalcanti na minha frente...
Jorge deu mais dois passos e parou, observando as costas de Alice se distanciarem enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.
As pessoas que observavam a cena pelo corredor recuaram espontaneamente, abrindo passagem e lançando-lhe olhares repletos de compaixão.
O Inspetor Rocha e seus dois subordinados também acompanhavam a partida de Alice com semblantes pesados. Logo em seguida, viraram-se para o grupo da família Cavalcanti.
Trocar clandestinamente o bebê de outra pessoa constituía um crime grave.
Pelo visto, o caso ia muito além da simples fuga de uma criança ou do golpe de um motorista sem escrúpulos.
Yara sentiu o olhar cortante do Inspetor Rocha e escutou os murmúrios incessantes ao seu redor. Deixou-se cair no chão, derrotada.

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