Com essa bofetada, o rosto de Yara Inácio inchou imediatamente, e sangue começou a escorrer do canto de sua boca.
— Ah! Alice Almeida, sua vadia, como ousa bater na minha mãe?! — O surto psicótico de Camila Cavalcanti veio à tona e ela avançou como um touro descontrolado em direção a Alice.
— Alice Almeida!
— Alice Almeida!
Jonas Farias e Jorge Cavalcanti gritaram em uníssono, voltando seus olhares para ela.
A recomendação era não encher o quarto de internação. Por isso, Jorge, Jonas e Henrique Cavalcanti aguardavam inicialmente no corredor. Mas ao ouvirem o tumulto no interior, os três correram apressadamente para dentro.
Alice ignorou completamente a presença deles. Antes mesmo que pudessem se aproximar, ela empurrou Yara com força e, num instante em que Camila avançava empunhando a própria bolsa como arma, estrangulou-a sem hesitar, cravando a mulher contra a parede.
As mãos de Alice, calejadas por cozinhar e cuidar do filho, eram as mesmas que calibravam instrumentos complexos no laboratório. Eram mãos treinadas para manusear equipamentos pesados no laboratório, com força suficiente para apertar um pescoço até sufocar alguém.
Com uma única mão, Alice espremeu as vias aéreas de Camila num abraço mortal. Imediatamente, um sufocamento aterrorizante tomou conta de Camila. O sangue inundou a sua cabeça, fazendo-a sentir como se o seu crânio e pulmões fossem explodir.
— A... Alice Almeida... Me solta...
— Ah! Alice Almeida! Solte a minha filha! — Yara, agora com o rosto esfolado e sangrando, resmungou as palavras de forma inarticulada. Ela projetou as mãos para tentar arranhar Alice, até que um brilho cortante cegou a sua visão.
Sem que ninguém percebesse como, Alice materializou nas mãos um Paquímetro de Precisão. Era a mesma ferramenta que costumava carregar consigo para efetuar medições rigorosas enquanto trabalhava nas montanhas.
Naquele exato instante, a ponta metálica afiada estava cravada logo acima do olho de Camila. Se Alice tremesse o pulso, o olho de Camila estaria arruinado.
— Ah! — berrou Yara, estupefata. Ela estava apavorada, tapou a boca com as mãos e não se atrevia a se mexer nem a irritar ainda mais Alice, com medo de que a mão dela escorregasse nem que fosse um milímetro.
— Alice Almeida, não perca a cabeça! — Jorge aproximou-se tenso. Nunca tinha visto aquela versão de Alice. Ela exalava a essência de quem já não tinha nada a perder, importando-se com absolutamente nada.
— Alice Almeida, solte a Camila primeiro, nós conversaremos com calma! — Henrique Cavalcanti tentou dar mais um passo, mas foi barrado por Jonas.
— Dr. Henrique, não a provoque agora. — Jonas desconhecia os pormenores da catástrofe que estourara, mas estava claríssimo que Alice, em todo o seu descontrole, não podia ser instigada de forma alguma.
Segurando Henrique, os olhos de Jonas Farias permaneceram fixos em Alice, deixando transparecer a sua indisfarçável dor.
Que espécie de atrocidade pudera ser a causadora de tamanho colapso mental nela?
Fria e surda a tudo ao seu redor, Alice imobilizava o paquímetro com punhos firmes, pairando-o implacavelmente sobre o olho de Camila.

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