Alice não tinha mais estômago para os dramalhões e bate-bocas daquela família, e menos ainda para assistir ao teatro de arrependimento de Jorge. O que importava era descobrir se o Inspetor Rocha tinha conseguido arrancar de Camila alguma pista sobre sua filha.
Assim que os policiais controlaram a algazarra, ela correu em direção a ele:
— Inspetor Rocha, o que descobriu? Conseguiu arrancar alguma coisa dela?
O inspetor sabia perfeitamente o motivo de tanta angústia. Ao encarar o rosto pálido e aflito de Alice, a vontade que tinha era de ocultar a dura realidade. Seria um golpe devastador.
A expressão fechada dele fez o coração de Alice despencar no peito.
— Nada? — perguntou ela, quase sem voz.
O Inspetor Rocha assentiu lentamente com a cabeça.
— Primeiro, já se passou muito tempo. Segundo, ela afirmou que estava muito nervosa na hora e que não consegue se lembrar dos detalhes. Então... — Ele pausou, vendo o brilho nos olhos de Alice se extinguir. — Então, não conseguimos nenhuma pista concreta. O seu bebê... as chances são de que...
Ele pensava que as chances de encontrar a criança eram mínimas e que ela provavelmente já havia morrido. Mas guardou esses pensamentos para si. Como policial, ele não queria destruir toda a esperança daquela mãe.
— Fique tranquila. Nós vamos fazer de tudo para encontrá-lo! — garantiu ele.
Mesmo que o inspetor não tivesse verbalizado o que pensava, Alice entendeu perfeitamente a mensagem.
Ela baixou o olhar, engolindo a dor a seco.
A poucos metros de distância, Jonas Farias mantinha os olhos fixos nela.
Via os ombros trêmulos, o olhar sem brilho, a figura frágil que parecia carregar o peso do mundo sozinha.
Uma vontade incontrolável de correr até ela, de puxá-la para um abraço apertado e prometer que tudo ficaria bem, tomou conta dele. Queria ser o seu porto seguro.

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