Camila trincou os dentes, a voz trêmula:
— Então, o que você quer?
— Quero que pague pelo que fez. — respondeu Alice, perfurando-a com o olhar. — Eu já disse: não vou deixar você escapar impune.
— Você... Alice... — murmurou Camila, com os olhos arregalados de pânico. Jamais vira aquela faceta da ex-cunhada.
Alice levantou o rosto, fixando os olhos em Yara Inácio e Henrique Cavalcanti.
— Eu já deixei claro: não haverá acordo e não haverá perdão. Eu não preciso de nada. E, além do mais... — Ela soltou uma risada amarga. — O que os Cavalcanti poderiam me oferecer?
Aquela simples frase calou a boca dos dois na mesma hora.
Afinal, que cartas eles ainda tinham na manga?
O que Alice poderia querer deles?
No passado, ela queria apenas o amor de Jorge e o bem do pequeno Júlio. Por isso, desdobrava-se para agradar a todos na família, sacrificando-se sem pensar duas vezes.
Mas agora? Jorge já era parte de um passado que ela queria enterrar. E Júlio não passava de um estranho que não carregava o seu sangue.
Ela não precisava do dinheiro ou do status social deles; tinha as suas próprias conquistas. Eles é que dependiam desesperadamente da boa vontade dela agora.
O que realmente importava para ela agora?
Apenas uma coisa: saber o paradeiro do bebê que lhe havia sido roubado.
No entanto...
Henrique Cavalcanti ficou com o rosto vermelho como um pimentão. Aquele homem orgulhoso, que achava que nada o podia atingir, ficou calado, envergonhado, diante das perguntas de Alice.
Jorge, com os olhos mergulhados numa tristeza abissal, entreabriu os lábios, mas a voz saiu fraca, resignada:
— Alice... faça o que você tem que fazer.
— Com certeza. — retrucou Alice, de queixo erguido. — O que você achava? Que eu teria pena de você por causa do passado?
Um nó se formou na garganta de Jorge, e o seu coração doeu como se estivesse sendo cortado por uma lâmina.

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