— Uma menina... — murmurou Alice. Os dedos das mãos cerraram-se em punhos ao lado do corpo, instintivamente.
Foi como se algo muito pesado tivesse batido no seu peito, uma dor profunda se espalhou por todo o seu coração.
Somente hoje a verdade emergia: o bebê que ela havia dado à luz, arriscando a própria vida, era uma menininha.
Ela tinha uma filha perdida pelo mundo...
O Inspetor Rocha franziu a testa, sombrio.
— Pelo visto, aquele hospital vai ter que passar por uma investigação minuciosa.
No princípio, presumiram que Alice dera à luz um menino e que a troca feita por Camila havia sido um ato isolado, sem o conhecimento do hospital.
Mas, se o bebê de Alice era uma menina desde o começo e havia sido trocado por um menino, seria impossível a equipe médica não notar. Pelo menos os médicos e enfermeiros presentes no parto deveriam saber de tudo.
Afinal de contas, foram os primeiros a ver e tocar a criança.
Ou seja: Camila havia comprado o silêncio de todos.
Não fora um crime de oportunidade, mas sim um complô milimetricamente planejado.
As palavras do inspetor trouxeram à memória de Alice as imagens vívidas do parto prematuro, da agonizante embolia amniótica...
Agora, tudo fazia sentido: seu trabalho de parto precoce muito provavelmente também fora obra de Camila.
A sua própria ingenuidade a impediu de enxergar a verdade. Chegou a vibrar de alegria na época por ter conseguido colocar no mundo uma criança tão forte e saudável quanto Júlio.
Mas Júlio nunca havia sido seu filho.
Sua filha real, a menina indefesa, fora jogada numa lixeira imunda por Camila.
Sua menininha...
Alice sentiu o coração despedaçar-se no peito. Ela olhou para Yara e perguntou, num fio de voz:

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