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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 65

Ao notar que Samuel mais uma vez abordava aquela empresa de tecnologia, Alice sorriu.

— Samuel, parece que você dá muita importância a essa empresa. Já mencionou esse assunto para mim diversas vezes.

Afinal, com o poderio do Instituto de Pesquisa Alberto Almeida no mercado, somado ao posto elevado de Samuel, empresas ansiosas por parcerias não faltavam. A cada ano, Samuel recebia uma infinidade de propostas de cooperação.

Mas conseguir fechar um projeto conjunto não dependia só de enviar papéis. O instituto fazia avaliações rigorosas em todas as frentes antes de bater o martelo. Geralmente, em prol da justiça e imparcialidade, até preferiam lançar processos de licitação abertos.

Por isso, Samuel nunca fora de destinar sua atenção de forma tão focada a uma companhia isolada; tudo era pautado pelos resultados objetivos.

— Não chega a ser uma importância tão grande. — Samuel também sorriu. — Apenas reconheço que se trata de uma corporação genuinamente formidável e é uma pena ver que o único calcanhar de Aquiles deles é um gargalo em componentes tecnológicos.

Alice assentiu; naqueles anos todos, ela havia presenciado uma vastidão de empresas brilhantes afundarem unicamente por estarem presas em gargalos técnicos de componentes, ou por se esbarrarem em paredes tecnológicas impenetráveis.

— Já que você põe a mão no fogo por eles, então vamos nos reunir. — Ela concordou.

Se o nível do negócio instigava pena de um veterano do calibre de Samuel, a empresa não devia ser pouca coisa.

— A propósito, qual é mesmo o nome dessa empresa? — indagou Alice.

Desde o princípio, Samuel só dizia "a empresa de tecnologia", mas existiam inúmeras pelo país. Até o presente momento, Alice ainda desconhecia quem exatamente iria encontrar.

— Olha a minha memória... — Samuel riu de si mesmo. — Ah, claro. Eles se chamam...

— Diretor Lima. — A voz de uma mulher interceptou a resposta de Samuel.

Samuel virou o rosto e de pronto acenou vigorosamente para a recém-chegada.

— Catarina, venha cá.

Alice também acompanhou a aproximação. A mulher possuía idade semelhante à sua; trazia um rabo de cavalo baixo impecável e um par de óculos de armação grossa sobre o nariz. O rosto, isento de maquiagem, irradiava traços limpos e sóbrios, e toda a aura dela transpirava rigor e um leve distanciamento emocional.

— Diretora Almeida, esta é Catarina, a assistente que o instituto destacou para você. Como acabou de retornar, ainda está desfamiliarizada com as dinâmicas do lugar. A Catarina vai lhe dar todo o suporte para que se ambiente o mais rápido possível. — Apontando para a funcionária ao seu lado, Samuel fez as apresentações.

— Prazer, Diretora Almeida. Chamo-me Catarina Yunes. — Catarina disparou um aceno rígido de cabeça em direção a Alice, sem deixar escapar nenhuma emoção do rosto.

— Prazer em conhecê-la, sou Alice Almeida. — Alice recebeu o cumprimento com um sorriso complacente, estendendo a mão livremente. — Nos dias que virão, conto com a sua valiosa ajuda.

Já o Laboratório de Osciladores Quânticos, idealizado e erguido sob o comando prévio da antiga Alice, situava-se justamente no último patamar do cume.

Naturalmente, sendo Alice a nova Diretora do Centro de Pesquisa, a base executiva dela também estava assentada no topo de tudo.

O escritório já havia sido devidamente limpo e polido de antemão. O espaço reluzia sem uma poeira no chão.

— Diretora Almeida, se não precisa mais de nada por agora, retornarei aos meus afazeres. — Catarina plantou-se junto à moldura da porta, deu uma checada nas horas e depois voltou os olhos para Alice. Ainda que as pupilas não descarregassem veneno ou escárnio puro, também passavam longe de qualquer deferência subordinada.

Alice assimilou a frieza do cenário, mas, sempre polida, acenou de leve com a cabeça.

— Na verdade, eu tenho sim uma incumbência da qual preciso do seu suporte agora mesmo.

Catarina absorveu a resposta revelando o tédio cínico de quem pensa "Eu já sabia". Ato contínuo, a impaciência faiscou no fundo dos olhos negros.

Ela não digeria aquele cenário absurdo: uma diretora fantasma cujo currículo era um abismo estéril de sete anos e que havia descido de paraquedas usando sabe-se lá que esquema sujo. Acabou de assumir o posto; que diabos de serviço produtivo ela poderia demandar que precisasse do trabalho dos outros?

Apesar de atualmente ser só uma pesquisadora assistente, Catarina estava sobrecarregada até o pescoço diariamente. Não possuía paciência, e muito menos tempo livre, para ser babá brincando de escritório com aquela 'diretora' que sequer parecia ser mais velha do que ela.

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