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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 97

Alice, segurando a bandeja, parou na porta e fixou o olhar na mão de Sabrina, que segurava a de Júlio.

Percebendo o olhar de Alice, Sabrina imediatamente recolheu a mão, levantando-se apressadamente como uma criança pega em flagrante fazendo algo errado: — Desculpe, senhora. Ouvi dizer que o Júlio estava doente e com saudades, por isso eu vim. Não sabia que você estava aqui. Se soubesse, não teria vindo.

De novo, a mesma cena.

Toda vez que um membro da família Cavalcanti estava presente, Sabrina agia dessa forma ao encará-la.

Alice assistiu a tudo, incomodada internamente. No entanto, sua principal reação foi ficar sem palavras.

Como o esperado, Camila Cavalcanti se levantou e empurrou Sabrina de volta para a beirada da cama.

Em seguida, Camila arregalou os olhos com raiva para Alice: — Fui eu quem ligou para a Sabrina vir. Algum problema? O Júlio disse que sentia falta dela, então a chamei. Tem algo contra isso?

Ao ver Sabrina e depois Alice, os olhos de Júlio ficaram avermelhados. Com medo de que a mãe fizesse algum mal a Sabrina, tratou de intervir: — Fui... Fui eu quem sentiu a falta da Tia Sabrina. Foi por isso que a tia Camila ligou para ela. Mamãe, não faça mal à Tia Sabrina.

Na verdade, ele não sentiu tanta saudade da Tia Sabrina naquele dia. De toda forma, assim que ficasse curado e voltasse para casa, ele a veria. Fora a tia Camila quem ligara de livre e espontânea vontade, chamando a mulher.

Porém, não suportava ver a Tia Sabrina ser agredida pela mãe, por isso sentiu-se na obrigação de defendê-la.

— Júlio... — Sabrina, com os olhos lacrimejando, segurou novamente as mãos gordinhas de Júlio com profunda emoção.

Camila, por sua vez, agiu como uma galinha protegendo os pintinhos, bloqueando o caminho à frente dos dois, com uma postura de que Alice realmente fosse atacar Sabrina.

Assistindo àquela cena toda, era impossível não ter alguma reação emocional. Alice apertou as mãos que sustentavam a bandeja e adentrou o quarto: — Júlio, o jantar está pronto. Você já pode comer.

Júlio, que um segundo atrás temia pela Tia Sabrina, ao escutar que a mãe tinha terminado a comida, esqueceu-se de todo o resto: — Eba, eu quero comer!

A criança de fato estava morta de fome. Passara o dia todo se sentindo mal, não tendo comido nada no almoço e, a partir da tarde, passou a ter febre, diarreia e a vomitar. A ida ao hospital, com exames e soro na veia, foi muito cansativa, e agora o estômago dele roncava vazio.

Assim que Alice se aproximou, Sabrina quis pegar a bandeja das mãos dela, olhando-a com sua costumeira inocência: — Senhora, deixe que eu dê a comida ao Júlio. Esse menino estava com saudades de mim, vou aproveitar e ficar um pouco mais com ele.

Júlio. Aquele era o filho que carregou nove meses no ventre e amamentou. Até mesmo a tigela de mingau que ele estava devorando era fruto do seu esforço.

Mas o que a criança estava dizendo?

Que a comida dada pela Tia Sabrina era a mais gostosa...

Então, o esforço e dedicação de Alice não contavam para nada?

Camila aproximou-se de Alice e, num tom de zombaria baixo no seu ouvido, sussurrou: — Viu só? Você trabalha meio dia para preparar isso tudo e não vale nem um elogio da Sabrina. O Júlio não gosta de você, você nem sequer merece ser mãe dele! Fique esperta e se divorcie do meu irmão. Deixe livre o título de Sra. Cavalcanti.

Camila já dissera coisas semelhantes inúmeras vezes a ela. Antes, cada palavra servia como facada em seu coração.

Mas não era mais assim.

Alice apenas lhe lançou um olhar gelado e, ao ver a postura vitoriosa e mesquinha de Camila, franziu ligeiramente as sobrancelhas. Ergueu a mão, pressionou-a no ombro da cunhada e a empurrou para se afastar.

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