— Fique longe de mim, o seu cheiro está me enojando.
— Você, Alice... — Camila achou que Alice fosse chorar ou gritar, ou ao menos se defender diante dela e de Júlio. O que ela não esperava era que a mulher a achasse nojenta!
A raiva fez com que o rosto de Camila ficasse de cores alternadas entre o vermelho e o branco, e ela inconscientemente cheirou o próprio corpo. Obviamente ela só cheirava a perfume; onde estava o nojo nisso tudo?!
Alice lançou um último olhar para Júlio. Viu que a criança estava comendo a comida da mão de Sabrina e rindo. As duas pareciam uma verdadeira mãe amorosa e um filho carinhoso, completamente esquecidas dela, a verdadeira mãe biológica. O seu olhar obscureceu, mas ela não disse mais nada, virando-se para sair do quarto.
Quando um coração é ferido tantas vezes, ele ainda sente dor.
Mas agora, ela conseguia suportar essa dor, e já não se desgastaria mais por causa dela.
Ao passar pela sala de chá, Jorge e Henrique ainda conversavam. Alice apressou o passo, chegando rapidamente ao saguão. Lançou um último olhar para o Solar Cavalcanti e, sem parar, virou as costas e saiu.
Era como se fosse o último e definitivo rompimento com a família Cavalcanti.
Apenas quando já estava fora da propriedade e sentiu o ar puro e libertador da rua, é que a opressão sufocante no seu peito começou a se dissipar.
Era difícil conseguir um táxi ali do Solar Cavalcanti, e os carros de fora também não conseguiam entrar na propriedade.
Alice não possuía carro ainda, por isso só poderia caminhar até chegar a uma via principal para chamar um táxi.
Felizmente a distância não era tão longa, vinte minutos andando e daria para chegar.
Porém, aquilo a fez perceber mais uma vez a necessidade de comprar o próprio carro, senão seria muito inconveniente andar para lá e para cá.
Após dez minutos de caminhada, um carro se aproximou em alta velocidade. Os faróis intensos doeram nos olhos de Alice.
De repente, aquele carro foi encostando perto dela.
E enquanto a mulher começava a achar o Porsche à sua frente familiar, a janela do veículo abaixou, revelando a face de Jonas Farias: — Alice?
— A esta hora da noite, por que você está andando sozinha por aqui? — Jonas olhou na direção do Solar Cavalcanti logo atrás e teve uma intuição do que pudesse estar acontecendo.
Ele então soltou, instintivamente: — Quer uma carona?
Assim que ele proferiu essas palavras, se espantou.
O que estava acontecendo com ele? Se oferecendo para levar Alice em casa de livre e espontânea vontade?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!