Ao ligar para o serviço de emergência, Graziela Viana jamais imaginou que ele seria quem viria resgatá-la.
Natanael Rezende.
O amigo de infância e ex-marido com quem foi casada por cinco anos.
Uma dor aguda apertou o peito de Graziela, e uma tristeza amarga tomou conta dela num piscar de olhos.
— Me dê a mão.
No momento em que a viu, as pupilas de Natanael se contraíram, mas logo a reação se desfez em sua expressão indiferente.
Ele estendeu a mão, segurando-a presa no elevador: — Está presa há quanto tempo?
— Uma hora. — Graziela sorriu, mantendo a decência de uma adulta. — Meu celular só pegou sinal há quinze minutos, não esperava que o bombeiro que viesse fosse você.
Natanael assentiu, olhando para baixo com seus olhos escuros.
Depois de um longo tempo, ele abriu a boca lentamente: — A sua perna... está bem?
Graziela disfarçou os olhos avermelhados e não disse nada.
Desde o terremoto de três anos atrás, a sua perna esquerda nunca mais se recuperou.
O terremoto aconteceu de repente, e antes mesmo que Graziela pudesse reagir, ela foi esmagada pelos escombros do prédio.
Ela tremia descontroladamente, sentindo como se todos os ossos estivessem partidos, com um mal-estar generalizado que fazia com que não reconhecesse o próprio corpo.
A perna esquerda doía tanto que ela perdeu a sensibilidade.
Um sabor de sangue subiu-lhe à garganta, sua visão escureceu de repente e ela desmaiou no local.
Quando abriu os olhos de novo, Estela Rocha, que também estava presa ali do lado, gritou de repente.
— Natanael, eu estou aqui, me ajude!
Natanael ouviu a voz e correu até elas.
O rosto dele perdeu toda a cor, e até sua típica expressão fria se contraiu em um cenho franzido.
O colega de equipe atrás dele gritou: — Natanael, não vai dar tempo, os especialistas disseram que vai ter uma réplica daqui a quinze minutos, só podemos salvar uma pessoa primeiro!
Pensando nisso, Graziela teve uma vontade repentina de rir.
Ela conteve o sorriso no canto dos lábios: — Obrigada. Depois eu mando uma flâmula de agradecimento para o quartel de vocês.
Só que, antes de dar dois passos, uma mão larga a puxou de volta bruscamente.
A visão de Graziela balançou, e o seu corpo foi prensado entre a parede e Natanael.
As veias saltavam nas costas das mãos de Natanael, mas seu tom continuava indiferente como sempre: — Por que foi embora sem avisar há três anos? Para onde você foi? Sabia que eu estive te procurando o tempo todo?
Graziela soltou um sorriso amargo e devolveu a pergunta: — E você não é quem mais sabe disso?
Natanael franziu a testa, com o fundo dos olhos escurecido.
— Eu já expliquei inúmeras vezes.
— A situação na hora era urgente, só dava para salvar um. A saúde da Estela não é boa e, em comparação com você, o estado dela era mais grave, então eu só podia salvá-la primeiro.
— Além disso, a Estela é minha irmã, eu não poderia abandoná-la.

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