Laila Fernandes
Chego à residência Watson por volta das oito e meia e após passar pela portaria e me identificar aos seguranças, encontro a Constancy me esperando do lado de fora com uma expressão nada amigável.
Constancy _ Quando você me falou que era de outro país, eu não imaginei que fosse uma imigrante ilegal.
Laila _ A então você já sabe.
Digo com desânimo já prevendo o que vem pela frente, ela vai me mandar embora, é agora que viro uma mendiga.
Constancy _ É claro que sim, você não imaginou que fosse trabalhar para uma das famílias mais ricas e importantes do país e eles não fossem investigar a sua vida, né!
Laila _ Na verdade, eu não pensei que eles checassem esse tipo de coisa, mas tudo bem, eu entendo.
Digo já me virando para ir embora.
Constancy _ Ei, para onde está indo?
Laila _ Embora, agora que vocês já sabem a minha situação no país, é certo que não vão me querer trabalhando aqui.
Respondo tentando controlar o desespero que estou sentindo sabendo que não tenho mais para onde ir.
Constancy _ Eu não disse isso, volte aqui.
Meu coração se enche de esperança, paro de andar e me viro de frente para ela.
Constancy _ Ou você é muito inocente e realmente não sabe muita coisa sobre a família Watson ou na última das hipóteses você é burra mesmo, é claro que eles iam investigar todo o seu histórico desde a infância antes de te colocar perto dos gêmeos.
Laila_ Eu só soube ontem depois que fui embora daqui que eles são donos de uma empresa de aviação é só, sabe, não tenho tempo que ficar lendo revistas de fofoca sobre a alta sociedade de Nova York e nem de lugar nenhum, minha vida anda uma droga e tudo que eu queria era sair do lugar onde estava morando.
Constancy _ É mesmo? E porque?
Ela pergunta realmente interessada não sei se por ver minha expressão de tristeza ou se por ainda estar me avaliando o que sei é que solto tudo em um desabafo.
Laila_ Vim para esse país por insistência da minha melhor amiga, aliás ex melhor amiga, ela me convenceu a vir com ela para cá, e como a minha única tia, a mulher que me criou, havia falecido, eu aceitei vir, pois a Bruna era a única referência de família que tinha me restado. Chegando aqui fomos morar com o namorado dela, um cara com quem ela se relacionou virtualmente por dois anos, acontece que o cara é um imbecil pervertido a sempre que podia estava me assediando, e eu tinha que aguentar tudo calada, pois não tínhamos para onde ir. Quando a Bruna arrumou um emprego as coisas ficaram ainda piores o desgraçado aproveitava a ausência dela para tentar me agarrar usando até mesmo a força, me obrigando a ficar longas horas fora de casa até que a Bruna chegasse, muitas vezes eu ia para a lanchonete onde ela trabalha e ficava lá até dar hora dela ir embora. Minha única saída era arrumar um emprego e poder pagar um aluguel, e quando vi o anúncio que vocês publicaram eu não pensei duas vezes antes de tentar a vaga, afinal eu teria tudo que preciso um bom salário e um lugar para morar, antes de vir para cá contei a Bruna o que o namorado dela vinha fazendo e sabe o que aconteceu?
Constancy_ Ela acreditou nele e disse que nunca mais queria te ver.
Laila _ Como você sabe?
Contancy_ Porque é sempre assim, mas não se preocupe logo ela quebra a cara e vem atrás de você pedir perdão, você tem uma história e tanto aí em.
Laila_ Se tenho, o pior é que agora não posso voltar para o Brasil, porque vendi a minha casinha e pedi demissão do meu emprego para vir para cá, não há mais nada para mim lá.
Constancy _ O que você fazia em seu país?
Laila _ Comecei trabalhando de empregada doméstica e graças a isso paguei o meu curso de inglês, havia acabado que começar a dar aulas de inglês em uma escola quando decidi largar tudo e seguir a Bruna para cá.


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