Vi sua expressão se transformar, como se minhas palavras tivessem acabado de lhe tirar o chão. Senti uma pontada no peito, pois não queria que as coisas fossem assim, mas a lembrança de tudo o que havia descoberto foi suficiente para me impedir de retroceder.
— Dante, por favor, não faz isso comigo — implorou, dando um pequeno passo em minha direção.
— Não fui eu quem fez isso, Fabiane — respondi, tentando não deixar meu lado sentimental me dominar. — Foi você, quando decidiu esconder a verdade de mim.
— Eu ia te contar! — disparou, desesperada. — Mas toda vez que tentava, alguma coisa acontecia ou nossa conversa era interrompida. Eu juro, Dante, estava procurando o momento apropriado para te contar tudo!
— Quando? — questionei, indignado. — Dormimos juntos, comemos, passeamos, passamos horas conversando! Oportunidades não te faltaram! Então me diga, quando pretendia contar?
— Eu tinha medo do que você faria… — respondeu, chorando.
— Se tivesse me contado antes, aposto que não estaria reagindo dessa maneira! — rebati, sem conseguir controlar meu tom de voz. — Eu teria te escutado, Fabiane! Teríamos conversado quando ainda havia tempo de evitar que as coisas chegassem a esse ponto. Mas não! Você preferiu esconder tudo de mim!
Passei a mão pelo rosto, tentando controlar minha revolta.
— Sabia que Gabriela está grávida?
Seus olhos se arregalaram imediatamente. No entanto, havia alguma coisa em sua expressão que me chamou a atenção. Ela não parecia surpresa com a notícia da gravidez, mas com o fato de eu ter descoberto. Senti um aperto ainda maior no peito.
— Você já sabia… — sussurrei, encarando-a.
Ela abriu a boca, mas hesitou antes de responder. Balancei a cabeça, sentindo a pouca confiança que ainda me restava desaparecer.
— Meu Deus, Fabiane… — falei, quase sem acreditar. — Você também sabia que minha filha estava grávida e escondeu isso de mim?
— Não, Dante, não é como você está pensando — respondeu entre lágrimas. — Gabriela me contou sobre a gravidez hoje. Eu também não sabia de nada até então.
— Mentira! — gritei, incapaz de acreditar em suas palavras.
— Não é mentira, eu juro! — insistiu, chorando ainda mais. — Ela me procurou hoje e contou tudo. Eu estava tentando entender como lidar com a situação, como contar a você…
— E por que deveria acreditar nisso? — interrompi. — Depois de todas as mentiras que descobri, como espera que eu saiba quando está falando a verdade?
— Porque estou sendo sincera com você! Sei que errei em esconder a verdade sobre Flávio, mas não estou mentindo sobre isso!
Soltei uma risada e balancei a cabeça.
— Me diga uma coisa — comecei, aproximando-me dela dessa vez. — Foi ele quem conseguiu a droga para a minha filha, não foi?
Ela paralisou. Vi seu olhar vacilar e seu rosto perder o pouco de cor que ainda restava. Por alguns segundos, permaneceu em silêncio, como se procurasse uma maneira de responder.
Aquela reação foi suficiente para aumentar minhas suspeitas.
— Responda, Fabiane! — exigi, encarando-a. — Foi seu irmão quem colocou aquelas drogas nas mãos da Gabriela, não foi?
— Dante… — murmurou, desviando os olhos.
— Olhe para mim e responda!

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