Narrado por Isabella
O quarto era bonito.
Amplo. Bem decorado. Lençóis brancos, cortinas de linho, um banheiro com mármore escuro.
Luxo. Conforto.
Tudo que qualquer mulher gostaria de ter.
Mas eu me sentia uma prisioneira.
Assim que a porta se fechou, desabei.
Me joguei na cama e chorei como uma criança perdida.
O travesseiro abafava meus soluços, mas nada podia conter a dor que queimava por dentro.
Meus dedos agarravam os lençóis com força.
A respiração falhava.
Minha garganta doía.
— Por quê...? — sussurrei. — Por que isso está acontecendo comigo...?
Olhei para o teto, buscando algo, qualquer coisa que me respondesse.
— O que eu fiz, Deus...?
— Eu amei... eu confiei... eu deixei tudo para viver um amor... e agora...
Agora eu sou tratada como um objeto.
Leiloada. Vendida.
Fui fiel. Fui dedicada. Fui esposa.
E mesmo assim... fui entregue como moeda de troca.
— Por quê...? — sussurrei novamente, já sem forças.
As lágrimas escorriam, silenciosas.
O travesseiro encharcado.
O peito, esmagado.
A alma... dilacerada.
Demorei a dormir.
Mas o corpo cansado cedeu.
E pela primeira vez em dias, dormi sem pesadelos.
Não porque estava em paz.
Mas porque o cansaço venceu até o medo.
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A luz da manhã filtrava pelas cortinas quando alguém bateu na porta.
— Senhorita Isabella, a pequena Luna está acordada. O senhor Ares pediu que a senhora fosse ao quarto dela às sete em ponto.
Olhei para o relógio. Seis e cinquenta e três.
Engoli o nó na garganta, me levantei, lavei o rosto, prendi o cabelo.
Vesti um vestido leve que havia sido deixado sobre a poltrona — branco, simples, bonito.
Tentei respirar fundo.
“Você vai ser babá. Apenas isso”, repeti mentalmente.
Mas nem eu acreditava.
Fui guiada por uma mulher idosa, provavelmente a governanta.
Ela não disse muito, apenas caminhou em silêncio, os passos firmes sobre o assoalho escuro da mansão.
Parou diante de uma porta com detalhes dourados.
Abriu devagar.
— Está com ela. — disse, e saiu.
Entrei devagar. O quarto era encantador.
Papel de parede floral, brinquedos de pano, uma poltrona de amamentação.
E ali, no berço... ela.
Luna.
Me aproximei com cuidado.
Ela estava acordada, de olhinhos bem abertos, olhando para o teto.
Tinha bochechas redondas, a pele clara e os olhos... os olhos mais lindos que já vi.
Azuis como o céu de verão.
Ela me olhou.
Franziu a testa.
Fez um biquinho.
— Ei... calma... — sussurrei.
Estendi os braços, com o coração acelerado.
Ela me olhava, curiosa.
Nenhum choro.
Abaixei o tom de voz. Fui falando em italiano, sem nem perceber. Era instintivo.
— Piccola... sei così bella...
Ela esticou os bracinhos pra mim.


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