Genebra colou o rosto no peito dele.
O som forte do coração batia em seus ouvidos.
O aroma único dele envolvia a ponta do seu nariz.
— Me abraça um pouco. — Gaspar disse, com a voz rouca.
Havia um cansaço profundo em sua voz e, se ouvisse com atenção, um traço de solidão.
Genebra estremeceu; ela nunca tinha visto Gaspar daquele jeito.
Fazia muito tempo que eles não se abraçavam pacificamente assim.
Entre os dois, parecia que o contato íntimo só existia naquele momento específico, na cama.
Abraços de amantes, como agora, eram raríssimos.
Genebra, de repente, lembrou-se da época da faculdade, quando corria atrás de Gaspar.
Ele era difícil de conquistar.
Por muito tempo, ele manteve o rosto frio.
Até que ela bebeu um pouco em uma festa após o encerramento de uma atividade do clube estudantil.
O álcool deu coragem à tímida, e ela abraçou Gaspar.
Ele não a empurrou.
Ela pensou que o relacionamento evoluiria.
Mas depois, Gaspar desapareceu por um tempo e voltou em uma cadeira de rodas.
Mais tarde, quando a perna de Gaspar se curou, ela o viu novamente, e ele estava ainda mais frio do que antes.
Ele era sempre tão instável, e Genebra já tinha se acostumado com esse jogo.
Foi esse hábito terrível que a levou, passo a passo, à destruição.
Os olhos de Genebra avermelharam involuntariamente, e ela fungou.
Alguém abriu a porta do camarote. Era um colega da galeria que tinha voltado para buscar algo, viu a cena e correu assustado.
— Adivinha o que eu vi agora? Vi o Sr. Teixeira abraçando a Genebra. — O colega, tão assustado que nem pegou suas coisas, correu para fofocar com outro.
— Não pode ser. O Sr. Teixeira não é namorado da Débora?
— Ah, quem sabe. Esse círculo social é uma bagunça.
— Mas eu acho que Genebra e o Sr. Teixeira combinam. Pelo menos mais do que com a Débora.
Os dois saíram fofocando.
Escondida no canto, Débora rangeu os dentes de raiva.
Gaspar disse que a vingaria, mas virou as costas e a abraçou.
— Genebra é uma vadia, seduzindo o Gaspar. — Os cantos dos olhos de Débora ficaram vermelhos, e um brilho cruel passou por seu olhar.
Ela faria Genebra pagar.
Débora pegou o celular e discou um número.

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