Genebra congelou completamente.
Suas pupilas contraíram levemente.
Uma faca invisível cravou-se direto no coração de Genebra.
E quem segurava a faca era Gaspar.
Ele sabia muito bem que ela acabara de sofrer um aborto.
E que havia a possibilidade de ela nunca mais poder engravidar.
Mesmo assim, fez uma exigência tão absurda.
Qual era a diferença entre isso e dar um tapa na cara dela?
Lágrimas acumularam-se instantaneamente nos olhos de Genebra.
Prestes a cair, ela olhava fixamente para Gaspar.
O homem levantou a mão.
O polegar tentou enxugar o canto do olho dela.
Genebra virou a cabeça, desviando.
Uma lágrima enorme foi lançada fora, espatifando-se no chão.
Gaspar baixou os olhos para sua mão suspensa no ar.
Vazia.
Os cantos de seus lábios formaram um arco amargo.
— Genebra, pense bem. Para mim tanto faz, mas o Noriel não pode esperar.
A respiração de Genebra parou.
Os dedos ao lado do corpo curvaram-se lentamente.
Ela mordeu o lábio inferior com força.
Assentiu pesadamente.
— Tudo bem, eu aceito.
Um brilho estranho passou pelos olhos de Gaspar.
Estendeu o braço longo e puxou-a para seus braços.
Genebra teve uma rejeição fisiológica.
Quis escapar, mas foi segurada firmemente pela cintura.
Gaspar aproximou os lábios finos do ouvido dela.
A voz parecia ter sido lixada, baixa e ameaçadora.
— Nem deixa abraçar, como vamos fazer um filho?
Genebra ficou rígida.
Imóvel como uma boneca sem vida.
O queixo de Gaspar roçou levemente no topo da cabeça dela.
Nos olhos dele, havia um misto de alívio e tristeza.
— Me odeia?
Genebra riu com escárnio.
— Tem sentido perguntar isso?
O homem repuxou os lábios.
— Odeie então.
Era melhor do que não ter reação nenhuma a ele.

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