As pupilas de Gaspar contraíram-se.
Ele correspondeu com um atraso de meio segundo, jogando o celular casualmente sobre a bancada.
Genebra manteve os olhos abertos o tempo todo, observando Gaspar fechar os olhos, inebriado.
Pelo canto do olho, viu que o celular estava em chamada.
Embora o movimento dos dois não fosse barulhento, a respiração ofegante era amplificada pelo banheiro vazio.
Sons de beijos molhados, respirações que se confundiam.
Eram adultos; era impossível que quem estivesse do outro lado da linha não soubesse o que estava acontecendo.
Débora realmente tinha sangue frio; estava lá, ouvindo em silêncio.
Um brilho de frieza passou pelos olhos de Genebra.
Ela observou calmamente Gaspar se perder, e sua mão desceu.
Com força suave, ela apertou.
O homem inspirou bruscamente, soltando um som contido e reprimido.
Gaspar parecia uma fera enjaulada há muito tempo que fora subitamente solta, sentindo o cheiro da presa, pronto para o ataque.
Genebra aproveitou a brecha e se afastou.
O homem sentiu o vazio em seus braços e abriu os olhos de repente.
O fundo de seus olhos ainda estava denso de desejo, os cantos avermelhados.
Seu pomo de adão moveu-se.
A voz, tingida de luxúria, soou rouca:
— O que foi?
Genebra arrumou o cabelo, meio envergonhada.
O tom era de submissão, quase como se estivesse negociando:
— O médico disse que não posso ter relações por um mês. Você pode aguentar?
Gaspar hesitou.
A onda de desejo em seus olhos recuou subitamente.
Ele passou a mão pelo rosto.
— Desculpe.
Genebra ficou atônita.
Não esperava que Gaspar fosse tão compreensivo.
O fogo que ela acendera estava bem alto; pensou que Gaspar ainda insistiria um pouco mais.
Já que ele concordou, Genebra não ousou ficar mais tempo.
Virou-se e saiu.
No momento em que abriu a porta, viu que a chamada fora encerrada.

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