Ele sentiu-se até um pouco atordoado; nenhuma daquelas coisas aterrorizantes havia acontecido.
Débora não estava grávida, e Genebra não havia sofrido um aborto.
Pela primeira vez, sua vida não era apenas uma manutenção forçada em meio ao caos.
Era como se fosse uma pessoa normal, capaz de ter uma vida simples.
O homem parou de repente, e Genebra abriu os olhos, confusa.
Ao ver a clareza no fundo dos olhos dele, a razão de Genebra retornou num instante, e ela empurrou Gaspar abruptamente.
Mas, no calor do momento anterior, ela já estava sentada no colo dele. O empurrão forte a fez perder o equilíbrio, e, no instante em que quase caiu, uma força a segurou.
No segundo seguinte, ela foi pressionada contra o sofá.
O homem a observava de cima, com o olhar cheio de incertezas.
Seus olhos percorreram cada centímetro do rosto de Genebra, vendo as bochechas dela corarem em um tom de pêssego.
Gaspar aproximou-se novamente, mas Genebra virou o rosto e o empurrou com força.
Mal deu um passo e foi puxada de volta para o colo de Gaspar.
O homem a abraçou por trás, apoiando o queixo na curva do pescoço dela. Sua voz, rouca pelo álcool, perdera a agressividade,
— Genebra, vamos recomeçar, pode ser?
Genebra estancou. Ela não tentou mais empurrar Gaspar; os dois ficaram em silêncio.
Depois de um tempo, Gaspar virou levemente a cabeça, roçando o nariz na orelha de Genebra.
Genebra fechou os olhos com força. Ela não se irritou, apenas disse com frieza,
— Gaspar, existe uma criança entre nós.
Como seria possível recomeçar?
O braço de Gaspar enrijeceu e, em seguida, apertou-a com mais força.
Como se, ao afrouxar um pouco, Genebra fosse escapar de seu lado.
Em sua mente, havia apenas uma imagem vaga daquela criança que nunca conheceu.
Seu coração também sangrava.

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