Otoniel havia desaparecido.
A fúria nos olhos de Gaspar desapareceu instantaneamente. Ele olhou friamente para Débora,
— Onde você o escondeu?
Depois de tanta luta, Débora estava exausta, deitada no chão, quase sem vida, a camisola manchada sutilmente de vermelho.
Sem forças e com o rosto pálido, ela sorriu de forma sinistra,
— Vo... você não vai encontrar.
A razão de Gaspar retornou. Ele a olhou de cima, como se olhasse para um cadáver,
— Quem está te ajudando, afinal?
Por mais absurda que Amália fosse, ela jamais brincaria com Otoniel.
Aquele era o limite dela.
Débora também estava louca, rindo de forma desequilibrada,
— Se me soltar, eu penso em te devolver aquele morto-vivo.
Morto-vivo?
Gaspar soltou uma risada nasalada,
— Você ainda não entendeu a sua situação.
Ele não tinha paciência para negociar com Débora. Virou-se para sair, deixando uma ordem,
— Vigiem-na bem.
Débora viu Gaspar sair diretamente, sem a menor intenção de negociar.
Ela sentiu medo, arrastando o corpo para frente,
— Gaspar, você não pode me prender! Eu preciso ir para o hospital, estou sangrando! Socorro! Assassino!
Mas aquela mansão havia sido comprada especialmente para ela passar a gravidez.
Débora sempre foi exigente, quase não havia vizinhos por perto. Mesmo que gritasse até rasgar a garganta, ninguém ouviria.
O ninho de ouro do qual ela se orgulhava era agora sua prisão.
Gaspar caminhou a passos largos para fora da mansão e entrou no carro.
Jaime entrou logo atrás,
— Sr. Teixeira, não seria melhor chamar um médico para vê-la?
Todos sabiam o quanto Amália valorizava aquela criança.
Agora que Otoniel estava desaparecido, em coma e dependendo de máquinas, ninguém sabia se conseguiriam trazê-lo de volta.
Débora não estava errada; aquela criança era o único sangue de Otoniel.

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