Ao ouvir aquelas palavras, Gaspar sentou-se abruptamente, fixando o olhar na porta com ansiedade.
Jaime também ficou atônito.
Poucos minutos depois, Genebra empurrou a porta e entrou. Seu olhar varreu o ambiente e pousou em Gaspar, examinando-o de cima a baixo, como se avaliasse sua condição.
— Onde está desconfortável? — Genebra aproximou-se. O tom ainda era um pouco frio, mas a atitude demonstrava preocupação.
Gaspar ergueu os olhos para ela, sem piscar, e apontou para o local onde fora esfaqueado por Genebra no passado.
— Aqui dói. E na mão também.
Genebra baixou os olhos para ele. A mão estava enfaixada, não dava para ver muito.
Jaime interveio:
— O osso da mão do presidente trincou e a antiga ferida abriu. Foi quando o Sr. Saramago estava sendo agredido; ele entrou na frente e se feriu. Eu disse para ele descansar, mas ele diz que a dor não o deixa dormir. Pedi para tomar remédio, mas ele recusa. Por favor, senhora, tente convencê-lo.
Gaspar franziu a testa, querendo dizer que não era tão frágil.
Desde criança, ele levara muitas surras.
Amália fora negligenciada por Leandro e vivia um casamento infeliz, enquanto Otoniel Teixeira tinha a saúde frágil desde pequeno.
Gaspar suportara quase toda a fúria e ressentimento de Amália; ele era a lixeira emocional dela.
Fora criado desde cedo como herdeiro, e seu avô era ainda mais severo, aplicando castigos físicos a qualquer pretexto.
A dor, para ele, não era nada. Já estava acostumado.
Mas, lembrando-se do conselho de Jaime agora há pouco...
Gaspar olhou furtivamente para Genebra, desejando que ela sentisse pena dele. As palavras que estavam na ponta da língua transformaram-se em:
— Sim, dói demais.
Ao dizer isso, franziu ainda mais a testa, e seu rosto parecia até um pouco pálido.
Genebra não conseguia distinguir se o sofrimento era real ou fingido.
Mas o ferimento no abdômen era real, e a mão ferida por Jonas também. Ela caminhou até Gaspar e agachou-se.
Pegou o remédio sobre a mesa, tirou dois comprimidos, colocou-os na palma da mão e estendeu o copo de água para ele.
Genebra falou em um tom neutro:
— O corpo é seu. Se você desmoronar, o Grupo Teixeira tem muita gente de olho. Quer entregar tudo de bandeja? Seu avô provavelmente não concordaria.
As palavras eram duras, mas faziam sentido. Gaspar olhou para ela, atordoado.

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