Era como se, bastasse ele ser solene o suficiente, para que Genebra voltasse ao passado.
Para que eles voltassem ao que eram.
Genebra ergueu levemente os olhos para o teto.
Daqui a um mês, ela estaria melhor, mas não por causa de Gaspar.
Ela com certeza iria embora.
Como Breno disse, entre 8 bilhões de pessoas, haveria alguém compatível com ela.
Ao pensar nisso, uma esperança surgiu nos olhos de Genebra; seus lábios se curvaram levemente e ela assentiu:
— Está bem.
Gaspar parou, surpreso por Genebra ter concordado tão facilmente.
Ela parecia extraordinariamente flexível hoje.
Seria por causa de Jonas?
Gaspar a soltou devagar, fixando os olhos intensamente em Genebra.
Ao ver o brilho fragmentado no olhar dela, pensou que Genebra estivesse tocada por suas palavras, e suas órbitas aqueceram subitamente.
— Obrigado. — A voz de Gaspar saiu um pouco rouca. — Obrigado, Genebra.
Obrigado por ainda estar disposta a nos dar uma chance.
Genebra travou por um segundo, sem se importar com o que ele pensava, apenas sorriu:
— Descanse cedo.
Os cílios de Gaspar tremeram, e seu tom transpareceu cautela:
— Posso... ficar aqui?
Os dedos ao lado do corpo de Genebra se encolheram, e seus lábios formaram uma linha reta.
Todo o seu corpo estava rígido, numa óbvia rejeição.
Mas Genebra dizia a si mesma internamente: aguente.
Pelo menos não exploda agora.
Genebra baixou os olhos, com a voz fria:
— Gaspar, eu sei que você quer compensar, mas preciso de um processo de adaptação. Nos últimos cinco anos, me acostumei com sua frieza. Você se aproximar tão radicalmente de repente só me faz sentir desconfortável.
Gaspar congelou.
Sua frieza no passado.
Ela já tinha se acostumado.
Essas palavras se transformaram em uma faca afiada, cravada em seu peito, doendo tanto que cada respiração era um tormento.
Gaspar respirou fundo várias vezes antes de conseguir falar.

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