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Nem Morta Serei Sua romance Capítulo 229

Gaspar não ousava se mover, com medo de acordar Genebra e fazer com que aquele momento de ternura deixasse de existir.

O motorista espiou discretamente pelo retrovisor e ficou instantaneamente surpreso; a ternura nos olhos de Gaspar era tão densa que parecia sólida, muito diferente da aparência assassina de momentos atrás.

Eram como duas pessoas completamente distintas.

O carro entrou no Mirante do Vale e o motorista desceu imediatamente, deixando-os a sós.

Gaspar permaneceu imóvel, servindo de travesseiro para Genebra; seus dedos se esticaram levemente, já dormentes.

Depois de muito tempo, como Genebra não acordava e dormir daquela forma era desconfortável, Gaspar não teve escolha a não ser pegá-la no colo.

Ao entrar no quarto, Gaspar sentiu a pessoa em seus braços se mexer; baixou a cabeça e encontrou os olhos dela recém-abertos, ainda um pouco úmidos.

O olhar nebuloso e confuso dela deixou a garganta de Gaspar seca.

Genebra demorou um instante para desviar o olhar.

— Obrigada.

Gaspar hesitou, mas acabou colocando-a no chão.

Genebra firmou-se, tirou o paletó que vestia e entregou a ele, caminhando com passos incertos em direção ao banheiro.

O cheiro em seu corpo a enjoava; a mistura do perfume de Benício com o cheiro de Gaspar.

Ela precisava urgentemente de um banho.

Ao empurrar a porta do banheiro e acender a luz, Genebra apertou os olhos, ainda não acostumada com a claridade, quando uma força a empurrou pelas costas.

Ela foi pressionada contra a pia.

Genebra levantou a cabeça, olhando aterrorizada para o homem no espelho.

A escuridão nos olhos dele parecia quase materializar-se, encarando fixamente as marcas de dentes no ombro dela.

Sua pele era naturalmente branca, o que tornava as marcas vermelhas dos dentes extremamente evidentes, como se uma fera tivesse aberto a boca para devorar a sanidade de Gaspar.

— Gaspar... Ah!

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