Gaspar não ousava se mover, com medo de acordar Genebra e fazer com que aquele momento de ternura deixasse de existir.
O motorista espiou discretamente pelo retrovisor e ficou instantaneamente surpreso; a ternura nos olhos de Gaspar era tão densa que parecia sólida, muito diferente da aparência assassina de momentos atrás.
Eram como duas pessoas completamente distintas.
O carro entrou no Mirante do Vale e o motorista desceu imediatamente, deixando-os a sós.
Gaspar permaneceu imóvel, servindo de travesseiro para Genebra; seus dedos se esticaram levemente, já dormentes.
Depois de muito tempo, como Genebra não acordava e dormir daquela forma era desconfortável, Gaspar não teve escolha a não ser pegá-la no colo.
Ao entrar no quarto, Gaspar sentiu a pessoa em seus braços se mexer; baixou a cabeça e encontrou os olhos dela recém-abertos, ainda um pouco úmidos.
O olhar nebuloso e confuso dela deixou a garganta de Gaspar seca.
Genebra demorou um instante para desviar o olhar.
— Obrigada.
Gaspar hesitou, mas acabou colocando-a no chão.
Genebra firmou-se, tirou o paletó que vestia e entregou a ele, caminhando com passos incertos em direção ao banheiro.
O cheiro em seu corpo a enjoava; a mistura do perfume de Benício com o cheiro de Gaspar.
Ela precisava urgentemente de um banho.
Ao empurrar a porta do banheiro e acender a luz, Genebra apertou os olhos, ainda não acostumada com a claridade, quando uma força a empurrou pelas costas.
Ela foi pressionada contra a pia.
Genebra levantou a cabeça, olhando aterrorizada para o homem no espelho.
A escuridão nos olhos dele parecia quase materializar-se, encarando fixamente as marcas de dentes no ombro dela.
Sua pele era naturalmente branca, o que tornava as marcas vermelhas dos dentes extremamente evidentes, como se uma fera tivesse aberto a boca para devorar a sanidade de Gaspar.
— Gaspar... Ah!

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