Genebra teve um momento de desorientação. Gaspar realmente se lembrava?
Ele se importava com o encontro deles?
Mas logo ela afastou esse pensamento.
Ao longo dos anos, seu estilo estético não mudara muito.
Sua estrutura estética para roupas fora definida muito cedo.
Então, ao escolher roupas, acabava sempre optando por peças muito parecidas. Talvez ele só tivesse comentado por acaso.
Coincidência, apenas.
— Vamos. — Genebra desviou o olhar e disse friamente. — Quero provar a comida do Restaurante Universitário do Sul.
Agora era bem na hora do almoço.
Gaspar viu claramente a mudança no olhar dela: uma expectativa fugaz que se transformou em frieza.
Ela parecia coberta de gelo, como se estivesse reprimindo deliberadamente uma chama que tremeluzia em seu coração.
Sob a aparência de armadura, havia um medo extremo. Medo de interpretar erroneamente qualquer sinal e cair novamente em uma situação perigosa.
Em estado de alerta, as pessoas instintivamente se fecham para não serem feridas pelo mundo exterior.
E escondem, junto com isso, todas as emoções.
Gaspar ficou um pouco distraído e demorou um pouco para seguir Genebra.
Hoje, Gaspar não levou motorista nem assistente; ele mesmo dirigiu, levando Genebra.
Durante todo o caminho, os dois não conversaram. Genebra virou-se para a janela, deixando para Gaspar apenas a visão de sua nuca.
No sinal vermelho, Gaspar parou o carro e virou a cabeça para olhar a nuca de Genebra.
Durante todos esses anos, ela manteve o cabelo liso. A qualidade do cabelo dela era ótima.
Gaspar olhou apenas uma vez e sentiu uma coceira nos dedos.
A pele parecia ter memória, começando a remoer a sensação de passar os dedos pela raiz do cabelo dela.
A mão de Gaspar apertou-se, e seu pomo de adão subiu e desceu.
Nesse momento, Genebra virou a cabeça repentinamente, encontrando o olhar fixo dele.
Ela ficou visivelmente surpresa, e seus olhos mostraram um certo desconforto. Gaspar, por outro lado, manteve a naturalidade.
— O quê?
Genebra piscou.

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