— Depois de tantos anos, não acredito que este restaurante ainda existe. — Genebra comentou, genuinamente surpresa.
— É um lugar muito popular. — Gonçalo respondeu sorrindo. — Inclusive, o dono comprou a loja ao lado e dobrou o tamanho do estabelecimento.
— Sr. Resende, que bom vê-lo! O prato de sempre? — O proprietário cumprimentou Gonçalo calorosamente.
Era evidente que ele era um cliente assíduo.
Gonçalo assentiu.
— Sim, o de sempre. E para você? — Ele se virou para Genebra.
Ela abriu um pequeno sorriso.
— Vou querer o mesmo.
Após tantos anos sem visitar o local, ela notou que o cardápio havia mudado bastante. Sem saber o que escolher, achou mais fácil acompanhar o pedido dele.
O dono a observou por um instante e soltou uma exclamação.
— A senhorita também me é familiar. Estudou na Universidade Rio das Artes, não é? Ah, me lembrei! Você e seu namorado costumavam vir aqui o tempo todo.
Assim que proferiu as palavras, o dono percebeu que havia falado demais. Visivelmente constrangido, ele recolheu os cardápios e se retirou às pressas.
Gonçalo deu uma leve risada.
— Parece que ele entendeu tudo errado.
Ambos sabiam exatamente a qual mal-entendido ele se referia.
Genebra franziu a testa. Pensou em esclarecer a situação, mas concluiu que seria dar importância demais ao assunto, então deixou para lá.
Gonçalo pegou seu tablet, abriu o álbum de fotos e o entregou a ela.
— Estas são algumas imagens que consegui resgatar. Dê uma olhada e me diga quais você quer que eu envie.
Enquanto deslizava a tela, Genebra percebeu que as fotos pareciam ter sido cortadas. Embora o trabalho de edição fosse sutil, seus olhos treinados notaram as alterações.
Ela lançou um olhar discreto para Gonçalo e estava prestes a questioná-lo.
Uma agitação repentina irrompeu do lado de fora.
Como não era horário de pico, havia poucos estudantes nas ruas, o que fez com que o barulho chamasse imediatamente sua atenção.
Um rapaz loiro de olhos azuis estava sentado na calçada, parecendo estar passando mal. Alguns transeuntes já estavam com o celular nas mãos, ligando para pedir socorro.
Gonçalo franziu a testa.

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