Mas nem ela mesma sabia o que exatamente estava procurando.
Os traços faciais dos dois eram tão idênticos que, se não observasse com cuidado, seria impossível notar a diferença.
No entanto, Genebra sabia que a pessoa na cadeira de rodas era Otoniel.
A pessoa que ela havia visto antes, seria possível que...
Genebra ficou sentada imóvel no chão, enquanto um calafrio subia lentamente por sua espinha.
Ela permaneceu ali, apática, até que a lua estivesse alta no céu.
Passos apressados e pesados ecoaram do lado de fora. No segundo seguinte, a porta do escritório foi aberta com violência.
A luz do corredor invadiu o ambiente, e Genebra, não acostumada com a claridade, levantou a mão para cobrir metade do rosto.
As luzes do cômodo se acenderam de repente. Através das frestas de seus dedos, Genebra viu o rosto pálido de Gaspar, que exibia uma expressão de pânico.
No instante em que a viu, ele fechou os olhos com força, como se soltasse um suspiro de alívio.
Gaspar abaixou a cabeça, apoiando-se no batente da porta. Demorou bastante para se recompor antes de arrastar os passos, agachar-se na frente de Genebra e perguntar: — Por que está sentada aqui?
O olhar dele desceu ligeiramente e notou o que ela segurava. Suas pupilas tremeram. Ele arrancou o pequeno álbum das mãos dela de forma bruta e esbravejou: — Quem te deu permissão para mexer nas minhas coisas?!
A transição da gentileza para a fúria extrema aconteceu em uma fração de segundos.
O rosto de Gaspar escureceu de forma ameaçadora. Ele se levantou de ímpeto, como se tivesse entrado em estado de alerta, e a obsessão e a escuridão em seus olhos quase transbordaram.
— Eu cheguei a conhecer o seu irmão, não é? — Genebra ficou com os olhos vermelhos, sentindo uma onda de amargura subir pela garganta.
Embora achasse a ideia absurda, ela tinha certeza de que a pessoa em uma cadeira de rodas que ela vira era Otoniel.
— Não. No dia em que você se casou e veio para cá, ele já estava em estado vegetativo. Onde você o teria visto? — Gaspar a encarou de cima, respondendo de forma categórica.
— Mas... Mas na época da faculdade, teve uma vez em que a sua perna machucou e você usou uma cadeira de rodas... Hum!
Genebra sentiu o queixo ser apertado. O homem se curvou e calou os lábios dela.
O beijo tempestuoso a deixou sem fôlego.

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